O ex-dirigente do Chega Nuno Pardal Ribeiro, acusado pelo Ministério Público de dois crimes de prostituição de menores agravados, vai mesmo a julgamento apesar de ter pedido, na fase de instrução, que o processo fosse suspenso mediante pagamento de uma injunção e cumprimento de regras determinadas pela magistrada.
A notícia é avançada esta quinta-feira pelo jornal Expresso apontando que a juíza encarregue do caso, Isabel de Noronha, decidiu pronunciar o antigo vice-presidente da distrital de Lisboa do Chega. De acordo com o jornal, tribunal, Ministério Público e a família da vítima opuseram-se ao pedido do ex-membro do Chega.
Nuno Pardal Ribeiro prestou esta quinta-feira declarações, tendo admitido um "ato sexual" com o menor, que conheceu no Grindr, mas rejeitando o sexo oral com o mesmo. Alegou que acreditava que a vítima era maior de idade e que o dinheiro dado ao menor foi para jantar com amigos.
Recorde-se que o caso foi conhecido no início do ano tendo levado à demissão de Nuno Pardal Ribeiro em fevereiro por "não reunir condições para o efeito". À data, Nuno Pardal Ribeiro alegou, em declarações à Lusa, que "os factos que estão descritos [na acusação], alguns, ou seja, os mais graves, não correspondem à verdade", mas recusou adiantar mais detalhes.
"Neste momento, o que menos importa é saber se eu continuarei ou não continuarei a ser militante", apontou Nuno Pardal, referindo que a sua primeira preocupação é preservar o seu núcleo familiar e "tentar demonstrar" a sua inocência.
De acordo com procurador Manuel dos Santos, do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Cascais, citado pelo jornal Expresso, "o arguido sabia que o assistente tinha 15 anos e era sexualmente inexperiente", praticou sexo oral com o menor e, no fim, enviou um código através do MbWay para que o adolescente pudesse levantar 20 euros.
O caso terá sido denunciado à Polícia Judiciária pelos pais do menor depois de terem tido acesso às mensagens do WhatsApp no telemóvel do filho.
Também em fevereiro, cerca de uma semana depois da demissão de Pardal Ribeiro, foi noticiado que o Ministério Público estava a investigar uma denúncia contra o deputado do Chega Pedro Pessanha (que foi cunhado de Pardal Ribeiro), suspeito de ter violado uma jovem de 15 anos. Pedro Pessanha negou na altura as acusações e dizia estar a ser vítima de uma "cabala".
De referir que a castração química de pedófilos foi uma das bandeiras defendidas pelo Chega, proposta que apresentou mais do que uma vez desde que está representado no parlamento.

