Os trabalhadores portugueses da Base das Lajes deram esta semana por falta de pagamento de quatro dias de salário relativos ao início do mês de outubro. Uma situação inédita para estes funcionários da base americana nos Açores que recebem o seu vencimento de 15 em 15 dias.
“Os comandos responderam-nos que isto se devia a uma falta de entendimento do governo americano, portanto falta de orçamento aprovado, e como tal não tinha havido fundos para pagar aos trabalhadores nos primeiros quatro dias de outubro. Também nos foi dito que provavelmente não haveria garantia de existirem fundos para pagarem os salários de outubro aos trabalhadores e neste momento nós não sabemos por quanto tempo é que esta situação se poderá prolongar”, disse Paula Terra, presidente da comissão representativa de trabalhadores da base das Lajes.
Por detrás deste atraso, estará a paralisação parcial do Governo norte-americano – que já perdura há duas semanas – e que permite interromper os pagamentos aos trabalhadores por falta de aprovação orçamental. Uma situação inaceitável para os funcionários portugueses da Base das Lajes que pedem a intervenção da República.
“Os trabalhadores da base não podem ser vítimas desta situação. Os acordos são assinados bilateralmente, ou seja pelos dois países, e neste sentido nós pedimos ao governo português que nos ajude e que faça aquilo que tem de fazer ao nível diplomático para resolver esta situação rapidamente”, explicou Paula Terra.
O Governo Regional – através da vice-presidência – já terá feito chegar ao Ministério dos Negócios Estrangeiros uma carta a manifestar a sua preocupação com os salários em atraso e a pedir a intervenção direta de Paulo Rangel. No entanto, até ao momento, ainda não houve qualquer resposta da República.
Também ontem, no parlamento açoriano, foi aprovado um projeto de resolução – proposto pelo Bloco de Esquerda – a reclamar a regularização imediata dos salários em atraso na Base das Lajes.
