Foi divulgado, esta sexta-feira, um estudo da associação que representa as Unidades de Saúde Familiar, no qual participaram 538 coordenadores. Só cerca de 150 ficaram de fora. Os dados são preocupantes: 90% das USF têm falhas de material básico e 77% têm de esperar mais de dois dias para que o material seja reposto.
"Vacinas, pensos, medicamentos, papel... portanto, todo esse tipo material que é fundamental para conseguir fazer a sua atividade", destacou, à SIC, André Biscaia, médico da USF Marginal e presidente da USF-AN.
Quase metade das Unidades de Saúde Familiar tem instalações desadequadas e praticamente todas têm um problema em comum:
"99,4% das USF tiveram falhas informáticas. 15% dessas falhas ocorreram mais de 50 vezes num ano.. isto cria o caos", acrescentou André Biscaia,
Os coordenadores das USF dizem que há falta de médicos, enfermeiros e pessoal administrativo. A carência de profissionais é crítica, sobretudo em Lisboa, mas também em zonas mais rurais.
As Unidades de Saúde Familiar, que têm autonomia de gestão, recebem incentivos institucionais se cumprirem determinados critérios, que usam, por exemplo, para renovar os espaços.
No estudo, com mais de 700 páginas, a associação fala ainda de falta de investimento.
"Há um desvio de orçamento para despesas que não são necessárias. As vacinas nas farmácias são sete milhões e isso dava para pagar o salário anual de todos os enfermeiros que fazem falta. Os enfermeiros podiam vacinar toda a população", salientou o presidente da USF-AN.
Nas USF de todo o país estão inscritos 7 milhões e 900 mil utentes.