País

Advogado do polícia acusado de matar Odair Moniz fala em formação de tiro insuficiente

O polícia acusado da morte de Odair Moniz começou a ser julgado. Bruno Pinto, o agente de 28 anos, garantiu ter agido em legítima defesa e disse que viu uma lâmina na mão do cabo-verdiano.

Loading...

Bruno Pinto, o polícia acusado da morte de Odair Moniz, começou o depoimento com um pedido de desculpas e, durante duas horas, algumas vezes entre lágrimas, garantiu que agiu em legítima defesa.

"Tenho a certeza que ele tinha uma lâmina na mão para me acertar. Não consigo dizer a cem por cento que aquilo era uma faca, mas era uma lâmina", revelou em tribunal.

Perante a insistência do coletivo de juízes e depois de ver as imagens de videovigilância da noite de 21 de outubro de 2024, na Cova da Moura, é que o polícia disse ter a certeza que era uma faca. É o ponto em que se concentra a defesa, mas que não convence a família.

"Em princípio, [a arma encontrada] não era de Odair, porque não há provas que indiciem isso", disse, aos jornalistas, o advogado da família de Odair Moniz, José Semedo Fernandes.

O agente da PSP relembrou os momentos que levaram aos disparos fatais para reforçar a ação. Assumiu que deu várias ordens a Odair para se deitar no chão, houve confrontos físicos: bastonadas e empurrões, e depois disparou para o ar em advertência. Mas nada impediu o momento seguinte:

"Disparei para os membros inferiores. Ele deu-me vários socos. Acho que ninguém controlou bem as forças, nem eu, nem ele. Estávamos todos muito ofegantes. Optei pela minha vida e pela vida do meu colega", disse o polícia.
"Há vários casos de agentes da autoridade que no exercício das suas funções fizeram uso da arma de fogo com um desfecho trágico e todos os que eu defendi dizem 'se eu tivesse mais formação', mas têm... estão aptos para poderem desempenhar as suas funções, mas no caso da PSP, esta deveria ser reforçada", apontou aos jornalistas o advogado do polícia, Ricardo Serrano.

Esta quarta-feira, na primeira sessão no Tribunal de Sintra, foi ouvida a mulher e mãe dos dois filhos de Odair Moniz. Ana Patrícia Tavares contou como soube pelo filho mais velho que algo tinha acontecido ao companheiro.

Conduziu até à Cova da Moura e disse que os agentes não lhe deram explicações. Depois de saber da morte, devolveram-lhe duas bolsas: uma com um punhal que Ana Patrícia garantiu não ser de Odair.

O julgamento continua na próxima semana, com vários moradores da Cova da Moura a serem ouvidos.