O jovem de 14 anos suspeito de matar a mãe a tiro, em Vagos, vai ser alvo de uma avaliação psicológica. Especialistas dizem não haver razão para alarme social, mas alertam para o risco da exposição à violência da internet.
O jovem ficará internado no Centro Educativo do Porto nos próximos três meses e caberá a uma equipa forense multidisciplinar decifrar o que se passa na cabeça do jovem suspeito de matar a mãe a tiro e de encenar depois um assalto para simular o crime.
A personalidade e o contexto social e familiar são variáveis cruciais que vão ajudar a perceber quais podem ter sido as motivações do jovem de 14 anos, que é inimputável do ponto de vista penal, mas que fica sujeito à lei tutelar educativa, aplicada no Tribunal de Família e Menores.
É um caso que está a chocar o país, considerado raro pelos contornos e gravidade do crime, mas que leva a uma reflexão sobre a agressividade crescente das crianças e jovens com os pais.
“Creio que não deve haver alarme social, que estes casos, que são muito noticiados pela raridade e excecionalidade, se mantenham assim raros, explica à SIC a psiquiatra forense Sofia Brissos.
A internet "é perigosa para crianças"
César Afonso, ex-inspetor-chefe da PJ de Lisboa garante que “este tipo de violência de filhos com pais é um fenómeno recente que começa a preocupar bastante”.
“As causas são múltiplas. Dizer que a internet é perigosa para crianças? Sim, começam a viver uma realidade paralela em relação ao mundo real”, alerta.
Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna, a delinquência juvenil teve mais de 2.000 ocorrências em 2024;
Na estatítica mensal dos centros educativos, a 30 de setembro deste ano, havia 138 jovens a cumprir uma medida tutelar de internamento, 30 dos quais em regime fechado.
A ofensa à integridade física voluntária grave foi o tipo de crime mais registado.