A ministra da Saúde demitiu, esta sexta-feira, o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Sérgio Janeiro, que estava no cargo há pouco mais de um ano, em regime de substituição. O novo nome apontado é o de Luís Cabral, mas o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar já pediu ao Governo que reavalie esta nomeação.
Rui Lázaro, presidente do Sindicato, diz que Luís Cabral “defende um modelo absolutamente contrário àquele que temos vindo a negociar com o Governo e que tem vindo a ser implementado".
Além disso, salienta que o sistema de emergência dos Açores, de que Luís Cabral é responsável, tem "maus resultados (...) o próprio Tribunal de Contas numa auditoria que divulgou o ano passado, classifica o sistema como demorado na resposta da emergência médica e dispendioso. Lembrar que este sistema é seis vezes mais caro que o sistema implementado no continente e, como se não bastasse, é bastante menos eficaz".
"Sérgio Janeiro tinha condições para continuar”
O presidente do sindicato sublinha que, desde a entrada de Sérgio Janeiro e com os acordos estabelecidos com o Governo, foi possível “contratar mais técnicos, reduzir a demora no atendimento de chamadas, aumentar o número de ambulâncias disponíveis e dar continuidade ao processo de qualificação dos profissionais do INEM”.
“Já estamos hoje capazes de realizar mais tarefas, salvar mais vidas, vidas que não seriam salvas se não tivesse sido o trabalho de Sérgio Janeiro”.
O sindicato critica a escolha e garante que “não encontra justificações técnicas ou operacionais” para a nomeação.
"Estranhamos e fomos surpreendidos pelo Governo com esta demissão".
Rui Lázaro considera que o Governo está a criar “instabilidade desnecessária” no INEM e avisa que, se Luís Cabral alterar o rumo das negociações, “haverá contestação”. “A greve está em cima da mesa, obviamente”.
"Queremos prosseguir no caminho que acordámos com a Ministra da Saúde, de evolução do sistema. Quero aqui lembrar que já fizemos a valorização salarial. Neste momento não é dinheiro que está em cima da mesa, nem a nossa valorização salarial. Neste momento está em causa a prestação de mais e melhores cuidados aos portugueses, que o INEM e que nós conseguimos salvar mais vidas. Se Luís Cabral vier a colocar isto em causa, pois deixamos de ter condições para negociar e regressaremos às ações reivindicativas".
