País

Carneiro culpa Montenegro por "falhanço" na Saúde e pede responsabilização por morte de grávida

O PS diz que é grave o caso da grávida que morreu, após ter sido enviada para casa no Hospital Amadora-Sintra, e pede consequências. José Luís Carneiro afirma que a principal responsabilidade é do primeiro-ministro, porque tem falhado na resposta na saúde.

Loading...

O secretário-geral do PS diz recusar aproveitar a tragédia da morte de uma grávida para "fins político-partidários", mas exigiu o apuramento de "todas as responsabilidades", considerando o primeiro-ministro responsável pelo "falhanço clamoroso" na Saúde. 

À margem de uma visita a um festival de banda desenhada, na Amadora, José Luís Carneiro lamentou a morte de uma grávida "depois de ter ido ao hospital e de a terem mandado embora", no Amadora-Sintra, considerando grave este acontecimento. 

"Contrariamente a outros, nós não aproveitamos a tragédia para fins político-partidários. No entanto, todas as responsabilidades devem ser apuradas e a primeira e mais importante responsabilidade é a do primeiro-ministro, por uma razão, porque foi ele que prometeu soluções e, portanto, é ele que tem que prestar contas, tem que dar conta da sua responsabilidade, da forma como a está a exercer", acusou. 

Na perspetiva do líder do PS, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, confirmou na véspera tudo o que o PS tem vindo a dizer sobre Saúde. 

"É o reconhecimento do falhanço clamoroso do Governo numa área vital para a qual prometeu soluções", sustentou. 

Carneiro chamou ainda a atenção para uma parte do discurso feito na quinta-feira por Marcelo Rebelo de Sousa sobre Saúde. 

"O Presidente da República disse que não se conseguem solucionar questões desta natureza de forma aleatória e sem planeamento. Ora, quem é que tem estado a procurar responder de forma aleatória e sem planeamento? O Governo", criticou. 

Demissão da ministra e Montenegro "mais frágil"

Esta semana, José Luís Carneiro já tinha desafiado Luís Montenegro a demitir a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, por considerar que estava sem autoridade política. Questionado sobre se a ministra estava agora mais frágil, depois das declarações do Presidente da República, o secretário-geral socialista insistiu que é o chefe do executivo PSD/CDS-PP "que está mais frágil" porque "é o primeiro responsável de uma equipa". 

"Se a equipa não dá resultados, não apresenta resultados, quem é o responsável? O responsável é o primeiro-ministro, porque foi ele que prometeu em campanha eleitoral, há cerca de dois anos, que tinha soluções para a saúde. Prometeu que em 100 dias apresentava soluções para as urgências hospitalares. Não apenas não apresentou soluções adequadas, como falhou todo o plano que tinha apresentado", apontou. 

Carneiro acusou ainda o Governo de "responder com soluções em cima do joelho", o que "não resolve os problemas da saúde". 

O líder do PS recordou ainda que apresentou no verão uma proposta para a gestão da emergência hospitalar e, até hoje, não obteve uma resposta nem houve a execução das medidas que foram apresentadas.  

A Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra abriu um inquérito interno às circunstâncias da morte, esta sexta-feira, de uma grávida que esteve no hospital na quarta-feira para uma consulta, em que foi detetada uma situação de hipertensão, anunciou a instituição. 

A ULS Amadora-Sintra relatou, em comunicado, que a grávida de 38 semanas, natural da Guiné-Bissau, deu entrada no serviço de urgência, cerca das 01:50, transportada por uma equipa do INEM, em situação de paragem cardiorrespiratória.

Com Lusa