O Colégio Luso-Francês do Porto já não vai receber o congresso do grupo de extrema-direita Reconquista, marcado para sábado à tarde, adianta o jornal Expresso.
O auditório cancelou o III Congresso Reconquista no dia seguinte ao Expresso revelar o local do evento, até essa altura só do conhecimento dos organizadores e responsáveis do espaço.
A organização do congresso, a cargo de Afonso Gonçalves, vai manter o evento mas noutro local. Conta com convidados da extrema-direita dos EUA, Alemanha, Reino Unido, Irlanda e França.
O novo local, que será no Porto, é revelado no sábado de manhã, às 09:00, apenas para "quem tem bilhete".
"Evento político" não corresponde ao que foi contratualizado
O responsável pelo auditório Francisco de Assis, Nuno Santos, diz que o III congresso do grupo inorgânico de extrema-direita Reconquista foi cancelado no espaço em causa por se tratar de um "evento político" e que não corresponde ao que foi contratualizado.
A gestão do auditório, que fica no colégio católico Luso-Francês do Porto, é "própria do auditório" e a programação é da responsabilidade do cliente, disse na véspera o responsável ao Expresso, assegurando que não tem qualquer ligação com a Reconquista e que estaria apenas a "rentabilizar o espaço".
De acordo com o coordenador, no formulário para o evento no espaço, os jovens indicaram que seria um evento cultural.
O Livre criticou, esta sexta-feira, os responsáveis pelo auditório, uma vez que tentou realizar no local um congresso autárquico, mas foi-lhe negado porque as regras "não permitem acolher eventos políticos".
A direita radical cresce em toda a Europa e Portugal não escapa a esta viragem. As autoridades admitem que estes grupos nacionalistas mobilizam cada vez mais militantes e, por isso, seguem de perto as atividades de todas as organizações de extrema-direita em Portugal, como o 1143, Habeas Corpus e os Hammerskins. Estão ainda sinalizados o Movimento Armilar Lusitano, Movimento Social Nacionalista, Escudo Identitário, Reconquista, Misanthropic Division e Trebaruna.

