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AIMA está a agendar atendimentos longe das áreas de residência dos imigrantes

Eduardo tenta há cinco meses ser atendido pela AIMA, foi mandado para Beja, a 180 quilómetros de distância de Alfragide, na Amadora, onde mora.

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A AIMA está a agendar atendimentos longe das áreas de residência dos imigrantes. Há casos em que são obrigados a percorrer centenas de quilómetros para resolver situações simples de regularização.

Eduardo mudou-se para Portugal em 2020 por motivos profissionais. Tem dupla nacionalidade: brasileira e italiana.

Ficou a viver no país com o chamado Certificado de Registo para cidadão da União Europeia, que é válido durante cinco anos.

"Esse prazo acabou em fevereiro de 2025 e desde então é uma saga tentar renovar o certificado e conseguir permanência em Portugal", conta à SIC.

Teve dois agendamentos para a loja da AIMA em Cascais, mas não chegou a ser atendido.

“O primeiro agendamento foi em março. Fui até à AIMA de Cascais, cheguei lá e não fui atendido. Disseram que o meu nome não estava na lista. Novo agendamento para 16 de junho, novamente a mesma situação.”

Um terceiro agendamento foi proposto para 5 de setembro, mas Eduardo estaria fora de Portugal. Foi-lhe proposta então outra opção: um novo agendamento, desta vez para Beja.

“Não tenho condições, uma vez que moro em Alfragide”, explicou à SIC.

De Alfragide, no concelho da Amadora, a Beja, são mais de 180 quilómetros.

“Teria que perder um dia de trabalho para ir a Beja e correr o risco de não ser atendido, como aconteceu três em Cascais.”

Há mais de meio ano que Eduardo espera a autorização de residência permanente. Até conseguir, vive em Portugal com algumas limitações.

“Não posso usar serviços públicos como um cidadão europeu, não consigo abrir uma conta, não consigo fazer um crédito habitação”, enumera.

O caso de Eduardo não é único. Na rede social Facebook, há relatos de imigrantes que estiveram na mesma situação. Pessoas que viajaram de Braga para Évora, de Viseu para Sines ou de Barcelos para Alverca.

A SIC pediu esclarecimentos à Agência para a Integração Migrações e Asilo, mas não obteve resposta.