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Duas famílias com crianças impedidas de entrar em casa por serem consideradas construções ilegais

Duas famílias com crianças estão, desde esta terça-feira, impedidas de entrar nas suas casas num bairro de Odivelas. O Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) afirma que se trata de construções ilegais e que a demolição estava prevista há vários anos devido a riscos estruturais.

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Os oficiais de justiça chegaram de manhã ao bairro de Santa Maria da Urmeira, em Odivelas, e avançaram com o que chamam de restrição de posse temporária. Bloquearam o acesso de duas famílias às respetivas casas e até trocaram as fechaduras para impedir que regressem às habitações. Oito pessoas, entre as quais cinco crianças, ficaram desalojadas.

"Não tenho para onde ir. As minhas coisas estão naquela casa. Eu vou voltar para lá enquanto não aparecer alguém que nos ajude e nos apresente soluções. Porque nós precisamos é de soluções, não de que venham aqui e nos ponham na rua", afirma um dos moradores.

Não é a primeira vez que isto acontece neste bairro e há mais moradores a correr o mesmo risco. A questão não é recente. Há dois anos que o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) diz que estas pessoas têm de abandonar estes edifícios.

Moradores acusam entidades de não dar solução

Nos últimos meses, foram contactados pelo Gabinete de Intervenção Social de Odivelas. Foi-lhes dito que teriam de encontrar outra casa onde tivessem um contrato de arrendamento e onde pagassem uma renda mensal.

Porém, estes moradores não conseguiram encontrar casas a um preço correspondente aos seus rendimentos e foram ficando por ali até que chegou a mensagem dos serviços sociais: os despejos iriam acontecer no dia seguinte e o dia chegou.

CM garante alojamento de emergência

Questionada pela SIC, a Câmara Municipal de Odivelas esclarece que as "ações levadas a cabo são da responsabilidade da entidade proprietária das habitações existentes, nomeadamente o IHRU. No âmbito das competências de Emergência Social, a Câmara Municipal de Odivelas irá acompanhar a situação para garantir alojamento de emergência e procura de solução habitacional compatível com o agregado familiar."

A autarquia disponibilizou uma pensão para as famílias afetadas, mas os moradores não querem essa alternativa. Os moradores têm, agora, 10 dias para recorrer da decisão do tribunal.