Ao fim de cinco anos, ainda são muitas as incógnitas quando se fala de Covid longa. Desde logo, qual é o universo de pessoas que sofrem destes sintomas prolongados da infeção e porquê.
"É uma ótima pergunta. É uma resposta que está a evoluir. Há alguns dados recentes, e alguns serão apresentados neste encontro em Porto, que sugerem que há uma predisposição genética para a Covid longa", explica à SIC David Systrom, professor na Escola de Medicina do Porto.
Por extrapolação, estima-se que no mundo 400 milhões de pessoas sofram de Covid longa e em Portugal cerca de 200 mil. O quadro é variável de doente para doente.
Nuno Sepúlveda, professor da Faculdade de Matemática da Universidade de Varsóvia, explica que "há várias caixinhas dentro da Covid longa".
"Há pessoas que têm Covid longa em que os sintomas são uma perda de olfato e paladar, que é transiente, pode ficar a durar durante um ano e meio e está dentro, digamos, do enquadramento clínico. Mas depois há outras caixinhas em que as pessoas têm mais fadiga, têm mais problemas respiratórios, e esses são os casos mais dramáticos", indica.
Outra questão-chave é como é que se chega ao diagnóstico. Os doentes dizem que é um verdadeiro calvário e o pneumologista João Carlos Wink explica porquê: "Não é possível chegar a um consultório e colher a sangue e fazer o diagnóstico. É preciso uma constelação de sintomas e de sinais, excluir outros diagnósticos, mas também é possível fazer uma prova de provocação, que é fazer uma prova de esforço cardiopulmonar."
Doentes e médicos estão por isso reunidos numa conferência no Porto para, além da divulgação dos progressos alcançados, fazer uma recomendação ao Governo para que sejam criadas unidades especializadas no SNS para doentes com síndromes pós-virais.
Na abordagem da Covid longa, há mais desafios que se levantam, nomeadamente quanto à própria classificação. Sem testagem massiva, não há como comprovar um dos critérios, a infecção pelo SARS-CoV-2.