As portas fecharam a 24 de outubro, mas a comunidade não desistiu. E por isso, alunos, pais e professores voltaram à escola na manhã desta quarta-feira para dizer ao governo que o colégio deve reabrir.
"Nós estamos a manter os nossos currículos em dia, em termos da nossa papelada de professores, para que assim que nos digam a escola vai abrir, nós estarmos prontos para dar aulas", afirma à SIC Elisabete Santos, professora daquela escola.
Um dos encarregados de educação de um aluno afirma que o que os pais e professores pedem é que "deixem as crianças acabar o ano letivo", garantindo que "os miúdos estão num ambiente totalmente seguro".
"Posso-lhe dizer que o meu filho teve um homeschooling o ano passado porque foi vítima de bullying na escola para onde ele agora era para ser mandado novamente. E, portanto, foi nesta escola que ele recuperou", afirma esse encarregado de educação.
Os alunos dizem não entender as razões. O encerramento foi ditado pelo Ministério da Educação por entender que a escola não tem autorização legal, definitiva ou provisória para funcionar. Mas a direção do colégio apresenta uma versão diferente.
"Fizemos um pedido de licença definitiva de funcionamento em 2014, recebemos a inspeção dos técnicos, tudo estava de acordo com os normativos e as exigências da altura e só mais tarde, em 2020, entre 2020 e 2022, é que vêm surgir problemas", explicou Sílvia Catarino, diretora da escola.
A tutela também justifica o encerramento com questões de segurança. Em causa está a altura dos tetos, exigida por lei nas salas de aula. Têm 15 centímetros, a menos que o previsto. Se há tetos que têm que ser subidos, possivelmente é uma intervenção que possa ser feita.
Os processos dos alunos foram entregues no agrupamento Piedade Matoso, em Aljezur, onde deveriam matricular-se num espaço de 10 dias. Só que a direção decidiu avançar com uma providência cautelar e o procedimento ficou suspenso. Nenhuma das crianças quer abandonar a escola.
A escola funcionava nesta localização desde 2013 e tem ao todo 85 alunos inscritos. Os pais também já estão a preparar uma providência cautelar em nome próprio contra a decisão do Governo.