A Entidade Reguladora da Saúde aponta o dedo ao Hospital do Barreiro, integrado na Unidade de Saúde Local do Arco Ribeirinho, e não tem dúvidas sobre o que aconteceu no dia 1 de fevereiro de 2024, com uma grávida, a sofrer de hemorragia abundante, a quem foi negado socorro nas urgências.
O inquérito apurou que houve "efetiva recusa de atendimento da utente, em vários momentos distintos e por vários profissionais diferentes".
Naquele dia, cerca das 18h00, a mulher chegou de ambulância ao Hospital do Barreiro, foi inscrita na urgência de obstetrícia, que estava fechada por falta imprevista de médicos, e não foi atendida pela obstetra de serviço.
O CODU, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM, encaminhou a grávida para o Hospital de Santa Maria, onde a ginecologia/obstetrícia estava encerrada para obras.
A seguir, o CODU tenta o Amadora-Sintra, que estava a receber grávidas, mas só depois das 22 semanas. Com apenas cinco semanas de gravidez, é mais uma porta fechada a uma mulher de 29 anos com sinais de aborto espontâneo.
Mulher só foi vista três horas depois
O CODU continua a fazer contactos e a grávida acaba por ser recebida no Hospital de Cascais já depois das 21h00.
Mas é para o Barreiro que vão todas as acusações da Entidade Reguladora da Saúde. O relatório agora divulgado fala das "incansáveis diligências do INEM, no sentido de garantir a admissão e atendimento da utente" e acusa a Unidade de Saúde Local do Arco Ribeirinho, a que pertence o Hospital do Barreiro, de "obstaculizar e, efetivamente, impedir o acesso da utente aos cuidados de saúde de que necessitava" e acrescenta que tudo pode ser confirmado pelos bombeiros e pelas gravações áudio do INEM.
Multa pode chegar quase aos 45 mil euros
Por estas razões, a Entidade Reguladora da Saúde decidiu abrir um processo de contraordenação por "práticas de rejeição infundada de utentes em estabelecimento do SNS" e o hospital poderá ter de pagar uma coima, cujo valor máximo ascende a quase 45 mil euros.
A SIC contactou o Hospital do Barreiro para saber se esta contraordenação foi contestada ou se foi aberto algum inquérito interno ao sucedido. Na resposta, o conselho de administração limita-se a dizer que já foram dados todos os esclarecimentos à Entidade Reguladora da Saúde.