País

Portugueses querem turismo mais sustentável e moderado, revela estudo

Há um olhar cada vez mais crítico sobre o impacto turismo. Um estudo recente da Fundação Francisco Manuel dos Santos fala no caso concreto da habitação, com uma subida de preços e falta de casas. Os inquiridos reconhecem que o turismo é essencial para o país mas alertam para a necessidade de aliviar a pressão.

Loading...

Zélia Breda, Eduardo Brito Henriques e Paulo Rodrigues assinam este que é o mais exaustivo estudo já realizado em Portugal sobre a reação dos portugueses relativamente ao turismo.

A perceção dos impactos que o rápido crescimento do turismo causa afeta cada vez mais, e de diversas maneiras, a população, sobretudo no bem-estar dos moradores.

É tempo de repensar a política atual do setor, pensar-se em novas medidas. Mais limites para o alojamento local, priorizar a qualidade de vida dos residentes, mesmo que isso implique uma redução nas receitas turísticas, é apenas um exemplo.

"Procurámos, portanto, inquirir pessoas que viviam em municípios, com alta exposição ao turismo, média exposição ao turismo e baixa exposição ao turismo. No fundo para termos uma perspetiva de como é que o turismo impactava as diferentes pessoas que viviam nos diferentes municípios de exposição", indica Paulo Rodrigues, autor do estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Mais de dois terços dos inquiridos acham que o turismo é benéfico para a economia nacional, para a criação de novos mercados, para produtos nacionais, mas apenas um terço sente que esses benefícios se traduzem em ganhos concretos nas suas vidas.

"Eu diria que os portugueses reconhecem a importância do turismo. Percebem que o turismo é um motor económico, que é essencial para a economia. Penso que reconhecem também que é um setor que tem depois muitos efeitos multiplicadores, que pode ajudar outros setores da economia, mas talvez recomendassem um crescimento mais moderado no futuro, porque ao mesmo tempo eles sentem também algumas pressões", acrescenta Eduardo Brito-Henriques, outro dos autores do estudo.

A habitação é mais afetada, muitos associam o turismo ao aumento dos preços das casas e à diminuição da oferta.

Acreditam que reduzir o alojamento local pode ajudar à crise da habitação e que deve haver uma limitação em áreas já sobrelotadas, como Porto, região do Douro, área metropolitana de Lisboa e Algarve.

Os resultados indicam também que pessoas com elevados níveis de satisfação com a vida e com a economia têm uma aceitação mais favorável ao turismo do que residentes mais vulneráveis e com maior consciência ecológica.

Este barómetro do turismo já pode ser consultado no site da Fundação.