A Câmara da Amadora investiu em segurança mais de 3 milhões de euros num sistema de videovigilância com mais de uma centena de câmaras. Estas estão distribuídas pelos 22 quilómetros quadrados do concelho, onde residem 170 mil pessoas, das quais quase 50 mil são imigrantes.
Dentro da Cova da Moura, bairro nascido após o fim da ditadura e o maior enclave da migração, mas também marcado pela construção ilegal, vivem mais de duas mil famílias. No entanto, aqui foram instaladas apenas três câmaras de videovigilância, nenhuma das quais funciona, estando destruídas desde que entraram em funcionamento.
A autarquia promete instalar mais 50 câmaras nas ruas para reduzir a criminalidade, mas já desistiu de as tentar colocar na Cova da Moura, onde nas últimas semanas pelo menos quatro pessoas foram baleadas.
"Há, de facto, um aumento da criminalidade violenta, mas não é tão acentuado como se faz eco na comunicação social", afirmou Maria Lúcia Amaral, ministra da Administração Interna, a 20 de outubro de 2025.
Concelho da Amadora lidera detenções no país
Esta declaração da ministra tem menos de um mês, mas na semana passada ocorreu um novo crime na Cova da Moura, em que um jovem de 17 anos foi atingido a tiro. A PSP nega, no entanto, o aumento da criminalidade violenta. Pelo terceiro ano consecutivo, o concelho da Amadora lidera o número de detenções no país.
Durante uma operação noturna da PSP, acompanhada pela SIC, foram detidas 10 pessoas. Um dos pontos críticos era a Cova da Moura. Foram levantados 32 autos por crimes de desobediência, falta de carta de condução e outros. Um condutor apresentava 2,11 gramas por litro de sangue e cinco condutores fugiram à polícia, mas foram depois capturados.
Segundo a PSP, a criminalidade violenta e grave na Amadora cifra-se em 3,5% da criminalidade geral, mas as armas de fogo preocupam cada vez mais. A morte de Odair Moniz na Cova da Moura há um ano fez disparar a tensão entre moradores e a polícia. A hostilidade aumentou, mas não é recente e já se regista há pelo menos 20 anos.
4 agentes da PSP mortos em serviço na Amadora
A Amadora é o concelho do país com maior número de agentes da PSP mortos em serviço, quatro no total. Há seis anos, numa decisão histórica, oito polícias foram condenados entre um e sete anos de prisão por agressões a moradores na Cova da Moura. Sete agentes cumpriram pena suspensa e um efetiva.
Há muito que os jovens do bairro usam o rap como uma ferramenta de luta contra o racismo, a violência policial, a pobreza e a violação de direitos de uma população que se sente marginalizada, sobretudo pela extrema-direita. Há 50 anos que os donos dos terrenos da Cova da Moura tentam reaver a propriedade sem sucesso.
Desemprego é um dos problemas do bairro
A PSP tem 438 operacionais no concelho da Amadora, devendo ter mais, admite o comandante de divisão. Apesar da diminuição de quase 5% da criminalidade geral em Portugal, houve mais de 14 mil crimes violentos e graves participados às autoridades no ano passado, uma subida de quase 400 casos em relação a 2023.
O último relatório anual de segurança interna sinalizou ainda um aumento de 12% da delinquência juvenil. Um dos maiores problemas do bairro continua a ser o desemprego. No bairro, considerado de especial criticidade, residem centenas de crianças e jovens, e aqui continua a morar também o sonho de uma vida digna.