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Algarve preparado para o inverno? "Só pode ser desejo de Natal" da ministra da Saúde

A ministra da Saúde diz que a ULS do Algarve está preparada para o período de inverno, mas o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses diz que "com a brutal carência de enfermeiros e outros profissionais de saúde na região, só pode ser um desejo de Natal."

Algarve preparado para o inverno? "Só pode ser desejo de Natal" da ministra da Saúde
ESTELA SILVA

A ministra da Saúde iniciou esta segunda-feira um périplo pelas Unidades Locais de Saúde de todo o país. No sul do país, reconheceu que a chegada do inverno vai aumentar a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas disse acreditar que a ULS do Algarve está preparada. 

As declarações não convenceram o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) que, num comunicado enviado às redações, afirmou que "com a brutal carência de enfermeiros e outros profissionais de saúde na região, só pode ser um desejo de Natal."

"Faltam na região do Algarve 1500 enfermeiros generalistas e cerca de 500 enfermeiros especialistas. A situação de carência tem sido agravada pela ausência de medidas de retenção e as admissões ocorreram ficam muito aquém das necessidade". 

Relativamente a medidas de retenção, o SEP acusa a Ministra da Saúde de teimar "em não dar orientações à administração da ULS do Algarve para proceder ao pagamento dos retroativos desde 2018 até dezembro de 2021"

Dizem, ainda, que Ana Paula Martins não permitiu "a abertura de concursos de acesso às categorias de Enfermeiro Especialista e Enfermeiro Gestor, estagnando as expetativas de desenvolvimento profissional".

"É esperado mais destas visitas por parte da ministra da Saúde"

Aos jornalistas, a ministra disse que o plano para a região é "muito sólido", mas é preciso mais do que isso. É necessário "ter capacidade de encaminhar para a urgência aquilo que é para a urgência, tratar em proximidade, nos nossos centros de saúde, nos centros de atendimento clínico, o que é para tratar em proximidade."

Para o sindicato, se Ana Paula Martins pretende com estas visitas "obter conhecimento sobre se as condições existentes permitem responder ao previsível aumento do número de pessoas que vão recorrer às urgências, mas ignora a falta de profissionais, concretamente enfermeiros e, nomeadamente, nos Cuidados de Saúde Primários, significa que o seu desejo de ‘não recorram à urgência quem pode ser tratado nos cuidados de proximidade’, não passará disso mesmo". 

"É esperado mais destas visitas por parte da Ministra da Saúde, nomeadamente, a discussão de um plano de admissão de mais profissionais de saúde que garantam as respostas em cuidados de saúde 24 sobre 24 horas e 7 dias por semana, por exemplo, nos Blocos de Partos e Urgência Pediátrica e, nos Cuidados de Saúde Primários que permita mais respostas de proximidade, incluindo nos domicílios, e em todas as áreas como, por exemplo, na área da saúde mental comunitária".

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses anunciou esta segunda-feira que vão aderir à greve geral em 11 de dezembro, em protesto contra o Acordo Coletivo de Trabalho proposto pela tutela e o Pacote Laboral, que dizem precarizar contratos e retirar benefícios.