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Ozempic: quando é feita prescrição para alguém que não é diabético "está a existir uma fraude ao Estado"

A Ordem dos Médicos já instaurou um processo crime. A detida vai ser presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.

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Uma médica endocrinologista que terá receitado milhares de medicamentos antidiabéticos, usados para emagrecimento, a pessoas sem diabetes, foi detida pela Polícia Judiciária (PJ) esta quarta-feira.

Graça Vargas emitiria receitas de medicamentos como Ozempic, Victoza e Trulicity a utentes que queriam emagrecer, fingindo que eram diabéticos, que assim obtinham comparticipação do Estado.

A comentadora da SIC, Adriana Cardoso, explica que quando é feita uma prescrição de uma receita para alguém que não é diabético “está a existir uma fraude ao Estado português”.

Isso acontece porque a “comparticipação sendo realizada em 90% do valor do PVP máximo do medicamento, que está tabulado pelas autoridades portuguesas de saúde, significa que o Estado português está de forma errónea a comparticipar algo que não está avaliado e que nem sequer está permitido que possa acontecer”.

Em causa está também o acesso aos medicamentos por parte de quem precisa. “Existem diabéticos que precisam deste tipo de medicamentos, que quando existe uma prescrição off-label destes medicamentos e as pessoas têm acesso a medicamentos sem os necessitarem, como os contratos que são estabelecidos entre a autoridade do medicamento e as farmacêuticas têm um valor tabulado médio destas unidades que chegam às farmácias existe ineficácia e rutura de stock”.

“O que significa que as pessoas que realmente necessitam destes medicamentos acabam por não ter acesso", acrescenta a comentadora da SIC.

A Ordem dos Médicos já instaurou um processo-crime. A detida vai ser presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.