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Greve Geral: Presidente vê "sinais positivos" e diz que "há tempo e espaço para continuar a falar"

Marcelo insiste que "a discussão ainda não saiu do adro" e antecipou um longo "caminho a fazer". Para o Presidente é preferível um longo processo negocial que termine com um compromisso.

Greve Geral: Presidente vê "sinais positivos" e diz que "há tempo e espaço para continuar a falar"
AMPE ROGÉRIO/LUSA

O Presidente da República disse esta quinta-feira que houve "sinais positivos" nos últimos dias relativamente à reforma da legislação laboral, considerando que tal demonstra que "há tempo e há espaço para continuar a falar", apesar da greve geral agendada para dezembro.

"Penso que tem havido nos últimos dias sinais, e são sinais que eu considero positivos, da parte da UGT, de uma manutenção, da disposição de diálogo, e penso que alargada em ternos de concertação social a outros parceiros. E, da parte do Governo, também alguns sinais nesse sentido, o que quer dizer que há tempo e há espaço para continuar a falar", declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

Em declarações à imprensa à chegada ao Mónaco, para uma visita de Estado, o Presidente da República insistiu que "a discussão ainda não saiu do adro" e antecipou um longo "caminho a fazer", comentando que é preferível um longo processo negocial que termine com um compromisso.

"Eu estou confiante num desfecho positivo, que seja o compromisso possível, nem que demore não umas semanas, mas demore um, dois ou três meses a chegar", declarou, reiterando que os desenvolvimentos dos últimos dias mostram que "não se trata de uma corrida contra-relógio para amanhã ou depois de amanhã, mas sim de um processo para daqui a uns meses".

Quanto à greve geral agendada para 11 de dezembro, apontou que se trata de "uma forma de manifestação ou de pressão da parte das entidades sindicais representativas dos trabalhadores de pontos de vista sobre o ponto de partida", mas reforçou que aquilo que mais o preocupa, mas que também o deixa "mais esperançado", é "o ponto da chegada".

A UGT entregou esta quinta-feira, em Lisboa, um pré-aviso de greve para 11 de dezembro, negando avançar com dois dias de paralisação, mas mostrou-se disponível para continuar a dialogar com o Governo e restantes parceiros.

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"Entregámos um pré-aviso de greve, de acordo com a decisão dos órgãos da UGT para 11 de dezembro. Até ao dia 11, estamos totalmente disponíveis para o diálogo e negociação. Estaremos totalmente disponíveis para nos sentar à mesa", afirmou o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, que falava aos jornalistas, após a entrega do pré-aviso de greve geral, no Ministério do Trabalho, em Lisboa.

A CGTP e a UGT decidiram convocar uma greve geral para 11 de dezembro, em resposta ao anteprojeto de lei da reforma da legislação laboral, apresentado pelo Governo.

Mário Mourão não colocou de lado a possibilidade de a greve vir a ser desconvocada, tendo em conta que a central sindical apresentou ao Governo algumas propostas para que o pré-aviso fosse levantado.

Em causa está, por exemplo, a disponibilidade do Governo para retirar a proposta que está em cima da mesa.