Num confronto marcado por leituras distintas da História e críticas mútuas à abordagem escolhida para assinalar a data, Paulo Núncio defendeu que o 25 de Novembro "completa Abril" e deve unir democratas, enquanto Miguel Costa Matos acusou o Governo de partidarizar as celebrações e de excluir protagonistas históricos fundamentais.
Para Paulo Núncio, "o "25 de Novembro é de todos" e deve ser celebrado como "uma grande data da democracia portuguesa", inseparável da defesa do pluralismo conquistado após o 25 de Abril. O dirigente do CDS sublinha que esta não é uma comemoração alternativa, mas complementar.
"Novembro completa Abril", considera o deputado centrista e acusa o PS de estar "refém da extrema-esquerda", incapaz de reconhecer plenamente a importância do dia que, na sua leitura, travou um risco real de "deriva totalitária".
Paulo Núncio lembra também Mário Soares para reforçar o argumento e sustenta que os socialistas se "autoexcluíram" da comissão organizadora ao recusarem participar no formato proposto.
Por outro lado, Miguel Costa Matos rejeita essa narrativa e devolve a crítica, defendendo que o problema não é celebrar o 25 de Novembro, mas a forma como o Governo construiu a efeméride. O deputado do PS acusa o Executivo de excluir atores centrais, nomeadamente a Associação 25 de Abril, que integra também militares do 25 de Novembro.
Na opinião de Miguel Costa Matos, a abordagem adotada pelo Governo "meteu o dedo na ferida" em vez de promover um espírito inclusivo. Para o PS, a comemoração deve refletir a complexidade histórica do processo revolucionário, sem instrumentalização partidária, e deve sobretudo evitar reabrir divisões que figuras fundadoras, como Mário Soares, procuraram ultrapassar para consolidar a democracia.
