O Largo do Chiado, em Lisboa, foi o palco de uma instalação artística que assinala, esta terça-feira, o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.
Andreia Catarino cresceu exposta à violência doméstica. À SIC relata que a mãe "chegou a fazer 37 queixas" e chama a atenção para mulheres que "fazem queixas várias vezes e até vítimas de homicídio". Nesse sentido, questiona: "porque é que uma mulher tem de fazer mais do que uma queixa? Porque não é ajudada e porque é que uma mulher que fez queixa acaba assassinada pelo seu agressor?"
A "Sentença Invisível", uma instalação artística assinada por Self esta terça-feira, no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.
"Esta instalação pretende mostrar o silêncio invisível e a prisão invisível que muitas mulheres têm que passar porque os tribunais ainda não obrigam a que o agressor saia de casa quando uma mulher é vítima de violência doméstica. E, portanto, a mulher tem que ficar silenciosa em sua casa numa prisão e não há ninguém que a possa ajudar", explica Francisco Salgueiro, curador da instalação.
A iniciativa teve o apoio da associação Corações com Coroa, que apela à ação em defesa das vítimas.
Catarina Furtado, presidente da associação, sublinha que "temos que fazer acontecer iniciativas que relembrem" e "mais do que relembrem, que façam com que a ação seja efetiva".
"Há muito a fazer ainda, o crime já é público, é reconhecida a urgência, mas falta rigor na aplicação da lei penal", defende Catarina Furtado.
Francisca Van Dunem, antiga ministra da Justiça, afirma que "isto não é só um problema judicial", é "um problema geral, um problema de uma sociedade que se quer coesa e uma sociedade que se queira respeitadora dos direitos fundamentais de todos, independentemente do género".
Desde janeiro e só até 15 de novembro, 24 mulheres foram assassinadas em Portugal.