Os dirigentes das associações socioprofissionais da GNR saíram esta sexta-feira desiludidos da reunião com a ministra da Administração Interna, tendo a Associação dos Profissionais da Guarda (APG) revelado que vai avançar com protestos, uma decisão apoiada pelos oficiais.
"Transmitimos à ministra que aquilo que apresentou foi muito pouco. Apesar de a direção da APG ainda se ir reunir, mas vai reunir-se para decidir formas de protesto", disse à Lusa o presidente da associação mais representativa dos militares da GNR, César Nogueira, no final de uma reunião com a ministra Maria Lúcia Amaral.
A ministra apresentou às cinco associações socioprofissionais da Guarda Nacional Republicana uma proposta inicial do Governo para negociação, que contempla no imediato a revisão dos serviços remunerados e "sem data de concretização" as alterações à portaria de higiene e saúde no trabalho, carreiras e estatuto remuneratório e sistema de avaliação.
A ministra deu ainda conhecimento de que o suplemento especial de serviço, destinado aos militares que trabalham na investigação criminal e unidades especiais, vai ser aumentado em 2,15% em janeiro de 2026, o que se traduz, segundo as associações, num aumento entre os três e os sete euros mensais, dependendo das funções.
O presidente da APG lamentou que a revisão do estatuto remuneratório "não seja a questão principal" do processo negocial, uma vez que este "é o ponto fundamental" para os militares.
"Ainda propusemos à ministra que a questão das remunerações tivesse retroativos a janeiro de 2026, mas ela não consegue garantir isso e não existe uma data para se iniciar a negociação da revisão do estatuto remuneratório", disse, frisando que para o Governo a única prioridade é a revisão da portaria dos serviços remunerados.
César Nogueira considerou que a proposta de revisão da portaria dos serviços remunerados apresentada pela ministra é pior do que aquela que já tinha sido dada a conhecer pelo anterior Governo socialista.
O presidente da APG disse ainda que as ações de protestos podem vir a realizar-se em conjunto com a Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP).
"Governo continua a não querer resolver os problemas"
Também a Associação Nacional dos Oficiais da Guarda (ANOG) saiu descontentes da reunião e o presidente, Tiago Gonçalves Silva, disse à Lusa que "os oficiais da GNR estão ao lado dos guardas e sargentos", apoiando por isso "todas as ações de protestos".
"O Governo continua a não querer resolver os problemas", afirmou, sustentando que a proposta da tutela "não apresenta nada de novo", nem qualquer melhoria para as remunerações dos militares.
O presidente da ANOG acrescentou que manifestaram à ministra "o descontentamento que existe nas fileiras da GNR", sublinhando que os "verdadeiros problemas" continuam "a ser protelados".
Por sugestão da associação que representa os oficiais da Guarda, as estruturas apresentaram em conjunto um anexo para ser incluído na proposta de negociação, designadamente para que seja reformulado o cálculo de pensão de reforma e que o sistema de saúde da GNR passa a ser pago em 12 meses em vez de 14.
"Saímos desiludidos da reunião"
O presidente da Associação Nacional dos Sargentos da Guarda (ANSG) considerou, em declarações à Lusa, que a proposta ficou "aquém da ordem de prioridades", lamentando que o Governo não se comprometa com datas para a revisão das carreiras e do estatuto remuneratório.
"Saímos desiludidos da reunião", afirmou Ricardo Rodrigues, considerando irrisório o aumento de 2,15% o suplemento especial de serviços.
As associações da GNR vão voltar a reunir com a Maria Lúcia Amaral a 12 de dezembro para apresentarem uma contraproposta sobre a revisão dos serviços remunerados.
Durante a tarde, a ministra da Administração Interna está reunida com os seis sindicatos da PSP com direito a negociação também para apresentar a proposta inicial de negociação que tinha fica acordada em julho de 2024 quando foi assinado o acordo que estabeleceu o aumento do subsídio de risco.