No âmbito da operação “Puro Verde”, que a Polícia Judiciária (PJ) levou a cabo na na zona norte do país, foram realizadas dezenas de buscas e detidas oito pessoas. A investigação, iniciada em agosto deste ano, “teve origem numa denúncia”.
De acordo com a PJ, em causa estaria “um alegado esquema de conluio entre funcionários da Comissão e empresários do setor vinícola (CVRVV), com vista ao favorecimento destes, designadamente, mediante a omissão dos deveres de fiscalização da origem e trânsito das uvas e seu depósito em adegas e produtores durante a vindima de 2025”.
“Importa referir que a CVRVV tem funções de controlo da produção e comércio e de certificação dos produtos vinícolas com direito a atribuição de DO (Denominação de Origem) e à IG (Indicação Geográfica), bem como a empresas relacionadas com a produção e comercialização de vinhos”, explica a PJ.
Através desta conduta é colocado em risco o processo de certificação da qualidade do vinho com DO, que confere e atesta a sua origem, as castas utilizadas, os processos de tratamento da vinha, vinificação e estágios, que caracterizam os vinhos de uma determinada DO e os distinguem dos restantes.
“O objetivo seria beneficiar certos operadores económicos através da oferta e aceitação de vantagens, tanto em bens como em dinheiro”, adianta a PJ, revelando ainda que os detidos são: quatro membros da Divisão de Fiscalização e Controlo da CVRVV e quatro empresários do setor de produção e distribuição de vinhos verdes.
Foram ainda constituídos arguidos 17 pessoas singulares e coletivas e apreendidos bens em espécie e numerário.
Os detidos vão ser presentes à competente autoridade judiciária no Tribunal de Instrução Criminal do Porto para primeiro interrogatório judicial de arguido detido e aplicação de medidas de coação.