Portugal enfrenta uma vaga de gripe antecipada e intensa, causada principalmente pela estirpe H3N2, com pico esperado após as festividades de fim de ano, segundo os dados recolhidos pelo investigador Miguel Castanho. Simultaneamente, a Covid-19 mantém-se ativa, embora ofuscada pela gripe, continuando a circular e requerendo vigilância dos mesmos grupos de risco.
"Embora não seja possível dizer exatamente quando é que surgirá o pico, é plausível que seja depois do final do ano, que haja uma subida até às festividades e depois haja uma descida".
A gripe está numa fase ascendente, com o Natal vem a mobilidade das pessoas, mais contactos sobretudo em ambiente fechado, "Todas as condições que são necessárias para acelerar as transmissões e, portanto, o maior número de casos".
Gripe chegou de uma forma mais precoce e intensa do que é habitual
Miguel Castanho explica que a chegada precoce deve-se à diminuída imunidade natural contra esta estirpe e às mutações do vírus que reduziram ligeiramente a eficácia da vacina.
"Por um lado, a estirpe dominante agora é a H3N2. Nós já há alguns anos que não estávamos em contacto com a H3N2, porque nos últimos anos não foi este tipo de vírus da gripe, foi outra e, portanto, a nossa imunidade natural estava um pouco diminuída em relação a esta estirpe concretamente (...) Neste intervalo o vírus mudou um pouco, formou-se um subtipo novo, portanto o vírus fugiu um pouco àquilo que eram as previsões e isso fez aumentar um pouco as transmissões, diminuir um pouco, só ligeiramente a eficácia da vacina e estes dois fatores, sobretudo, terão contribuído ou estarão a contribuir para esta vaga antecipada de gripe".
Grupos das faixas etárias mais afetadas
Os grupos mais afetados são crianças e idosos, as pessoas que têm doenças crónicas, sobretudo aquelas que, por alguma razão, tiverem um sistema imunitário mais debilitado.
É recomendada vacinação para pessoas saudáveis que cuidam de grupos de risco "sobretudo das crianças até aos seis meses, porque não podem ser vacinadas. E as pessoas mais idosas, mais suscetíveis à ação do vírus, esses são os grupos de maior risco e é por isso também que são os grupos recomendados para vacinação".
Depois existem alguns grupos mais especiais, como pessoas, por exemplo, que estão em grande contacto com aves. "Nós andamos a negligenciar um bocadinho a importância que a gripe das aves entre as aves tem para os humanos".
A Covid-19 continua "está entre nós e não vai desaparecer"
O investigador alerta também que devemos estar atentos à Covid-19 tal como estamos atentos à gripe. Este inverno, em particular, a gripe está a sobrepor-se, mas a Covid-19 continua, anda por aí e não vai desaparecer.
"Ela anda por aí, ela está entre nós. É claro que quando a gripe vem mais para a ribalta nós falamos menos de Covid-19, mas Covid-19 continua, circula, temos picos (...) embora esteja escondida, esteja na sombra da gripe, mas a Covid-19 continua, está entre nós e não vai desaparecer".
