Os supermercados Lidl e Pingo Doce estão a ser acusados de tentar mitigar os efeitos da greve geral desta quinta-feira através da substituição de trabalhadores e do pagamento de despesas de transporte, denuncia o Sindicato dos Trabalhadores das Grandes Superfícies, Armazéns e Serviços de Portugal (STGSSP).
Numa nota enviada às redações, o STGSSP diz ter recebido denúncias feitas por funcionários destas duas cadeias de supermercados, que acusam as entidades empregadoras de procurarem diminuir os impactos da paralisação através da substituição de trabalhadores em greve, pedindo que os funcionários que não aderiram "façam horas extra, nalguns casos solicitando trabalhadores a outras lojas".
"Há também relatos de chefias estarem a oferecer o pagamento de despesas de transporte para, alegadamente, os trabalhadores poderem ir trabalhar", refere o comunicado.
O sindicato defende que estes alegados comportamentos constituem "uma forma de pressão sobre o trabalhadores" e uma forma de "violar a lei".
"O STGSSP repudia estes actos, que continuará a acompanhar, à medida que novos turnos iniciam funções, não descartando, para já que possa ser uma ação concertada, impulsionada pelas declarações visionárias da APED que afirmava com demasiada segurança que nenhuma das lojas da grande distribuição encerraria", conclui o sindicato.
Na quarta-feira, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) garantia que a greve geral de hoje não iria fechar os supermercados nem afetar a reposição dos produtos.
"Não estamos a prever perturbações e muito menos esse tipo de cenário de escassez de produtos", disse Gonçalo Lobo Xavier em declarações à Rádio Renascença.
Lidl e Pingo Doce negam alegações e garantem respeitar direito à greve
Em resposta enviada à SIC, o Lidl nega "quaisquer alegações de substituição ilegal de trabalhadores grevistas, bem como a oferta de benefícios adicionais”.
"O Lidl Portugal pauta-se pelo estrito cumprimento do Código do Trabalho e respeita integralmente o direito à greve", refere a breve nota.
Também o Pingo Doce, em resposta à SIC, refuta "veementemente" as acusações feitas pelo STGSSP e garante respeitar "integralmente a legislação laboral, incluindo o direito à greve".
A greve geral desta quinta-feira foi convocada pela CGTP e a UGT, em contestação ao anteprojeto do Governo de revisão da lei laboral, que está a ser debatido na Concertação Social e visa áreas como parentalidade ou prazo dos contratos.
Nota: artigo atualizado às 12:08 de 12 de dezembro, com a inclusão da resposta enviada à SIC pelo Pingo Doce

