Trabalhar é um verbo caro a Luís Montenegro. E em dia de greve geral, a primeira no país depois de 12 anos, o primeiro-ministro preferiu valorizar quem não aderiu.
"O país está a trabalhar e há uma parte do país que está a exercer o seu legítimo direito à greve. A parte que está a exercer o seu legítimo direito à greve é a parte minoritária, a parte largamente maioritária está a trabalhar e nós estamos também a trabalhar", manifestou o primeiro-ministro.
Mas não foi o único a "trabalhar". Entre presenças na manifestação convocada pela CGTP ou nos piquetes de greve, os líderes partidários à esquerda também tiveram agenda cheia.
"Eu creio que o Governo, com esta greve geral, tem a sua primeira grande derrota desde já na opinião pública. (...) É um ataque a todo o nível àqueles que têm aguentado a economia portuguesa", sublinhou Rui Tavares, porta-voz do Livre.
Já Paulo Raimundo, do PCP, garantiu que "estamos perante uma histórica adesão à greve geral" e o "Governo não vai ficar indiferente a ela".
"É preciso que este pacote laboral seja retirado da discussão, não tem discussão possível", sublinhou.
O recém-eleito coordenador do Bloco de Esquerda considera que "é muito importante esta greve em si mesma, mas é muito importante na perspetiva de que mantenha níveis de unidade como estes" para que "mantendo-se essa unidade, haja pressão, haja força".
Depois de, na véspera, ter publicado um vídeo em solidariedade com os trabalhadores, José Luís Carneiro delegou em Eurico Brilhante Dias o protagonismo socialista em dia de greve.
"Já ouvi hoje a declaração do senhor ministro Leitão Amaro. Só consegui pensar no ministro da propaganda do governo do Iraque durante a guerra do Golfo. O senhor ministro não vive neste país, não percebeu o que está a acontecer hoje", sublinhou Brilhante Dias.
No Parlamento, a Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas esteve em discussão por via de um agendamento potestativo da Iniciativa Liberal, mas o verdadeiro debate desta quinta-feira estava a acontecer fora de portas.