Há 26 dias que a mortalidade está acima do normal, potencialmente devido ao tempo frio e à epidemia de gripe que atingiu o país no final de 2025 e perdura no início de 2026, segundo avança o jornal Expresso.
Desde dia 10 de dezembro que a mortalidade tem registado valores persistentemente acima do esperado, com valores diários a superar as 400 mortes, acima dos números do mesmo período em 2025. Em alguns destes dias registam-se mais de 485 óbitos, números que se traduzem em excessos superiores a 37% relativamente ao expectável.
Ao analisar os dados divulgados pela Direção-Geral da Saúde e pelo Sistema de Informação de Certificados de Óbito (SICO), e recuando ao mês de novembro, verifica-se sempre um número superior ao do ano anterior desde dia 19, situando-se na ordem dos 300 óbitos. O número passa a andar perto ou acima dos 400 óbitos a partir de dia 4 de dezembro, mantendo-se na maioria dos dias acima desse valor.
Nos dias 27 e 30 de dezembro, registaram-se 488 e 487 óbitos, respetivamente. No dia 2 de janeiro, o número de mortes ultrapassa mesmo as 500.
Esta segunda-feira, 5 de janeiro, foi o primeiro dia a inverter a tendência. Registaram-se 403 óbitos quando no mesmo dia em 2025 se registaram 445.
Em entrevista ao jornal Expresso, Bernardo Gomes, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP), aponta também o envelhecimento populacional como fator para estes resultados, alertando para o número de mortes mais elevado em pessoas com mais de 75 anos.
O presidente aponta ainda a pobreza energética como possível fator. Morreram mais cinco mil pessoas em 2025 do que no ano anterior.
