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Dez anos após reconhecimento da UNESCO, arte chocalheira do Alentejo enfrenta risco de desaparecer

Em Alcáçovas, principal centro de fabrico de chocalhos em Portugal, restam apenas dois mestres ativos.

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Há 10 anos, a arte chocalheira portuguesa foi distinguida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Mas, atualmente, enfrenta vários desafios que ameaçam a continuidade desta tradição.

É um som antigo que ainda ecoa pelo Alentejo. Vários produtores continuam a chocalhar o gado, mantendo viva uma prática que já guiava os passos de avós e pais e que ainda hoje orienta o trabalho no campo.

O som dos chocalhos revela um trabalho delicado com mais de dois mil anos. Por trás de cada peça estão mãos experientes que moldam o metal e afinam o som.

Em Alcáçovas, localidade considerada o principal centro de fabrico de chocalhos em Portugal, esta tradição ganha forma.

Há dez anos, o trabalho dos mestres chocalheiros portugueses recebeu reconhecimento mundial: a UNESCO valorizou não apenas o objeto, mas também o saber-fazer transmitido de geração em geração, classificando-o como Património Cultural Imaterial que necessita de salvaguarda urgente.

Mais do que reconhecimento, esta distinção abriu novas oportunidades aos mestres chocalheiros. Tornou-se um ativo para o turismo no Alentejo, atraindo visitantes interessados na tradição e no saber-fazer e contribuindo para a identidade e promoção da região.

No entanto, apesar do reconhecimento, pouco foi feito nos últimos anos para garantir a proteção efetiva desta arte. A tradição do chocalho enfrenta agora vários desafios: a escassez de mestres, o desinteresse das gerações mais jovens e as alterações no mundo rural colocam em risco a continuidade deste saber-fazer único.

Hoje, em Alcáçovas, restam apenas dois mestres chocalheiros a trabalhar na vila. Sem medidas de preservação e transmissão do conhecimento, esta arte corre o risco de desaparecer, levando consigo parte da identidade cultural de Portugal.