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Governo reconhece gravidade no SNS e abre porta ao diálogo, diz FNAM

Declarações feitas por Joana Bordalo e Sá, vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), depois de uma reunião esta terça-feira, com a tutela.

Governo reconhece gravidade no SNS e abre porta ao diálogo, diz FNAM
RODRIGO ANTUNES / LUSA

A vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), Joana Bordalo e Sá, afirmou esta terça-feira que o Governo reconheceu que a situação no Serviço Nacional de Saúde (SNS) "é bastante grave", tendo considerado "de fundamentais" as propostas do sindicato.

Na reunião, que durou cerca de duas horas, estiveram presentes a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, o secretário de Estado do Gestão da Saúde, Francisco Rocha Gonçalves, e a secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido.

"Houve um reconhecimento tácito de facto da situação no Serviço Nacional de Saúde e é bastante grave, pela falta de médicos, pela falta de meios, pela falta de infraestruturas, isto de Norte a Sul do país", disse aos jornalistas Joana Bordalo e Sá no final de uma reunião no Ministério da Saúde.

De acordo com a dirigente sindical, a tutela considerou ainda essenciais as propostas da Fnam sobre o internato médico, a parentalidade, a avaliação e a progressão na carreira.

"Houve um reconhecimento também de que as propostas que a Fnam traz aqui hoje são fundamentais para trazer mais médicos ao SNS", salientou.

O encontro serviu sobretudo para definir os primeiros temas a negociar, no qual a Fnam propôs começar pela avaliação e progressão na carreira médica, ponto que considera decisivo.

"É fundamental para que os médicos sintam que têm uma carreira, que evoluem ao longo do tempo e que tenham esse reconhecimento merecido e que isso se traduz em melhoria também salarial", realçou.

Outro tema colocado na mesa foi a reintegração dos médicos internos na carreira, medida que, segundo a Fnam, pode melhorar o trabalho diário e incentivar a permanência no SNS após a formação.

À entrada para o Ministério da Saúde, o novo presidente da estrutura sindical, André Gomes, explicou que a Fnam chega à ronda negocial com o Governo "com boas expectativas" em avançar nas propostas para reforçar a carreira médica e proteger o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

André Gomes garantiu que a federação parte para as negociações "com total abertura e total boa-fé".

A próxima reunião está marcada para 5 de fevereiro, sendo que, até lá, a Fnam comprometeu-se a apresentar uma contraproposta sobre o modelo de avaliação, com o objetivo de "dar uma expectativa aos médicos de que há uma carreira e que conseguem progredir".