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Polícia e militar entre os detidos na megaoperação da PJ contra grupo neonazi 1143

O diretor nacional da PJ, Luís Neves, sublinha que a operação de combate ao grupo liderado por Mário Machado teve caráter preventivo para evitar homicídios e garante resposta firme a todos os crimes politicamente motivados.

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A Polícia Judiciária revela que dois dos detidos na megaoperação de desmantelamento de uma associação criminosa não são civis. Ao que a SIC apurou, trata-se de dois elementos das forças de segurança.

Em conferência de imprensa, esta terça-feira, Luís Neves, diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), confirmou que dois dos 37 detidos no âmbito da operação que visou o grupo de supremacistas brancos 1143, liderado por Mário Machado, “não são civis”.

Apesar de não revelar as funções que desempenham, a SIC apurou que um dos detidos é militar e o outro é polícia. PJ também recolheu indícios de ligação a uma claque de futebol.

Em comunicado enviado às redações, a Polícia de Segurança Pública confirma a detenção de um elemento das suas fileiras, pertencente ao efetivo do Comando Distrital de Setúbal.

“A PSP aguarda conhecimento concreto do sucedido, pelo que, assim que tivermos notícia sobre o(s) crime(s) de que o referido polícia é indiciado, (informação que neste momento ainda não possuímos), serão desenvolvidos os procedimentos disciplinares adequados e preventivos. A Polícia enquanto Instituição pública, respeita o princípio da presunção da inocência, porém, como Instituição responsável pela defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, e pela proteção da comunidade, a PSP repudia, de forma veemente, qualquer conduta, interna ou externa, que constitua uma violação flagrante desses princípios”, refere esta força de segurança.

PJ promete que crimes "politicamente motivados" terão resposta

O diretor nacional da PJ sublinhou também que a operação desta manhã contra um grupo de ideologia neonazi visou evitar que venham ocorrer homicídios e avisou que todos "os crimes de natureza politicamente motivados" terão resposta.

"Nós atuámos aqui de forma preventiva, porque não queremos voltar a ter nem gente que fique como inválida, nem gente que veja casas incendiadas, nem gente que seja morta", disse Luís Neves, em conferência de imprensa na sede da PJ, em Lisboa, depois de recordar, entre outros, o homicídio do cabo-verdiano Alcindo Monteiro, no Bairro Alto, em junho de 1995.

O diretor nacional acrescentou que "tudo o que for crimes de natureza politicamente motivados, seja qual for a origem, terá como certa a ação da Polícia Judiciária, numa perspetiva de estancar essa atividade".

O responsável por esta força de segurança revela ainda um dado preocupante: em 2019, foram registados nove crimes de ódio, enquanto em 2025 esse número ascende a 64 casos.

Apesar das detenções, Luís Neves assegura que a PJ não encontrou evidências que indiquem que o grupo estava a preparar-se para realizar ataques:

“Mas tínhamos a noção que, se necessário fosse, ou se alguma ocasião ocorresse, esse ataque podia ocorrer.”

Artigo atualizado às 18:01

Com Lusa