Esta quarta-feira em Leiria, o concelho mais afetado pela depressão Kristin, circulou uma das nove estações móveis do SIRESP - um sinal de que a rede de comunicações de emergência foi afetada, como aconteceu durante o apagão em abril de 2025.
A rede SIRESP tem cerca de 550 antenas em estações base que têm de comunicar entre si. Quando os cabos que ligam a rede falham, entra em ação a redundância por satélite - a única forma de levar a informação ao sistema central. Mas para que isso funcione é preciso eletricidade.
Quando falta a luz, as antenas têm baterias ou geradores com autonomia limitada. Em caso de emergência, os rádios que estejam ligados à mesma antena também podem comunicar entre si. Mas, uma vez mais, só se houver eletricidade na estação-base.
Portanto, todas as garantias de redundância do sistema de comunicações estão dependentes do funcionamento da rede de elétrica.
A SIC quis saber qual o impacto da tempestade Kristin no funcionamento do SIRESP junto do Ministério da Administração Interna, mas não obteve resposta.
Há duas semanas, no Parlamento, a propósito do apagão do ano passado, o SIRESP - empresa do Estado - atribuiu responsabilidade ao operador privado de telecomunicações.
“Não houve uma falha de energia do nosso lado. As baterias assumiram, o que falhou foi a transmissão, a conectividade com os computadores e essa não é nossa (...) essa está confiada contratualmente a operador de comunicações privado”, afirmou Vítor Judicibus, administrador do SIRESP.
O SIRESP nasceu como uma empresa privada e, depois de ter falhado nos trágicos incêndios de 2017, passou para as mãos do Estado. Está sem presidente do Conselho de Administração há quase dois anos.
