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Depressão Leonardo: mais de três mil ocorrências e dezenas de deslocados devido a inundações

O comandante nacional da Proteção Civil alerta para os principais fatores de risco nas próximas horas e deixa várias recomendações.

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Foram registadas 3.326 ocorrências desde 1 de fevereiro devido à passagem da depressão Leonardo, a grande maioria devido a cheias e inundações.

Segundo dados da Segurança Social, divulgados esta quarta-feira pelo comandante nacional da Proteção Civil Mário Silvestre, há 145 pessoas deslocadas em Leiria, 53 no distrito de Santarém, 53 em Castelo Branco e outras 132 estão em risco num lar em Coruche que poderá ainda ser evacuado.

A Proteção Civil alerta para os principais riscos nas próximas horas: inundações em árias urbanas; cheias; deslizamento de terras; piso rodoviário escorregadio; acumulação de neve; dificuldade de drenagem dos sistemas urbanos; possíveis acidentes na orla costeira devido à ondulação; arrastamento para as vias rodoviárias de objetos soltos devido a inundações ou vento.

"Estamos em nível quatro de empenhamento e vamos mantê-lo até sexta-feira que vem, e será reavaliado nessa altura", acrescentou.

As principais recomendações são: "desobstruir sistemas de escoamento de águas pluviais; remover inertes e objetos que possam ser arrastados; fixar adequadamente as estruturas soltas, andaimes, placares, etc; evitar permanência junto a áreas arborizadas"; evitar estacionar em zonas potencialmente inundáveis; "evitar a circulação e permanência e lugar em locais vulneráveis a galgamentos costeiros, não praticar atividades marítimas e evitar também o estacionamento próximo da orla marítima; na condução, adotar uma condução defensiva, reduzir a velocidade e muita atenção à formação de lençóis de água"; não atravessar zonas inundadas e respeitar a sinalização.

Comandante fora do país durante a tempestade? "Nada deixou de ser feito"

Em resposta às perguntas dos jornalistas sobre a notícia que dá conta de que o comandante nacional da Proteção Civil não estava no país quando a tempestade Kristin chegou ao território nacional, Mário Silvestre justifica que nada fazia prever o que aconteceu.

"Fizemos uma avaliação do cenário e seria uma semana perfeitamente normal, com uma depressão, chuva, uma situação tipicamente de inverno. Não havia, no domingo, absolutamente nada que nos indicasse que iriamos ter o fenómeno que depois tivemos na madrugada de quarta-feira."

Apesar de se encontrar em Bruxelas, o comando da Proteção Civil ficou entregue ao segundo comandante e cinco adjuntos que fizeram "todo o trabalho bem feito", acompanhados por si à distância, garante Mário Silvestre.

"Nada deixou de ser feito" por causa da minha ausência. A minha presença física em Carnaxide nada teria mudado", reforça.