Marcelo Rebelo de Sousa defendeu esta quarta-feira, uma maior ligação entre a Proteção Civil e as Forças Armadas no sentido de estarem automaticamente convocadas em situações de calamidade, como a tempestade Kristin que devastou "um quinto do país" há uma semana.
"Para o futuro tem de se pensar no relacionamento entre as Forças Armadas e a Proteção Civil", disse o Presidente da República, dando como exemplo a GNR, que "está permanentemente presente na Proteção Civil".
Vários autarcas têm-se queixado que as Forças Armadas apareceram um pouco mais tarde no terreno para apoiar as populações afetadas pela passagem da tempestade Kristin, há uma semana.
"Tem de haver, no futuro, uma maneira de as Forças Armadas, com o seu poder logístico, estarem já ligadas naturalmente à Proteção Civil de forma a ser instantâneo, sem o requisita ou não requisita. É obvio que se há calamidade estão requisitados", afirmou o também comandante supremo das Forças Armadas, em declarações aos jornalistas, após visitar o Serviço Municipal de Proteção Civil de Ourém.
Marcelo Rebelo de Sousa frisou que as Forças Armadas "têm uma estrutura autónoma que depende de uma liderança autónoma" e que foi dado um "grande salto quando o ministro da Defesa Nacional voltou [de uma viagem oficial] e o Estado Maior General das Forças Armadas passou a ter um papel coordenador".
Uma semana após o início da tempestade que afetou "um quinto do país", Marcelo Rebelo de Sousa visitou o Serviço Municipal da Proteção Civil de Ourém, onde encontrou dezenas de pessoas numa fila à procura de material para reconstruir as suas casas, e depois seguiu para uma escola onde são poucos os alunos que já têm luz em casa.
Dois dias depois de o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter anunciado um pacote de medidas para ajudar as famílias e empresas afetadas, Marcelo admitiu receios.
"O meu medo é pôr essa máquina a funcionar porque implica mais do que ter um coordenador, que é ótimo, em Leiria. É preciso que o que é dado a partir do Governo chegue mesmo às pessoas e para isso é fundamental o papel dos municípios e das freguesias", admitiu Marcelo Rebelo de Sousa, antes de uma reunião na Câmara Municipal de Pedrogão Grande.
Questionado novamente sobre a gestão feita pelo executivo, o Presidente da República considerou que houve momentos em que esteve "bem" e outros em que esteve "menos bem".
"A primeira reação do primeiro-ministro, perceber que era grave e ir à Proteção Civil, bem. Depois, a ideia de que era uma extensão mais pequena: foi insuficiente, porque afinal era mais ampla. Depois o primeiro-ministro vai para o terreno, nota que é mais ampla e declara calamidade: bem. Depois não se percebe quão ampla era e aponta-se para menos concelhos: menos bem. Quando teve a visão avançaram as medidas e a equipa: bem", declarou.
Algumas horas antes, o presidente reconheceu que existem "tiradas ou afirmações que são mais felizes e outras menos felizes", desvalorizado as declarações dos governantes em momentos de crise.
"Quando há um momento de aperto, de aflição, de não saber bem qual é a situação no terreno, as pessoas de repente são apanhadas em perguntas, em questões que não é fácil responder", disse o chefe de Estado, que hoje começou o dia em Ourém seguindo depois para Pedrogão Grande, duas das zonas mais afetadas.
No entanto, Marcelo sublinhou que o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, não se "saiu bem" quando sugeriu às pessoas afetadas pela tempestade que poderiam usar "o ordenado do mês passado" até chegarem os apoios do Estado.
Com Lusa.
