Em entrevista à SIC Notícias, a especialista sublinha que "estamos a falar de uma faixa etária emocional e cognitivamente imatura", que não tem capacidade para interpretar nem processar a informação explícita que consome online. Segundo Rute Agulhas, o contacto com estes conteúdos pode ter consequências diretas na forma como as crianças constroem a sua identidade sexual e percecionam as relações.
"A exposição precoce pode normalizar comportamentos inadequados e levar à objetificação das relações, centrando a sexualidade no corpo e não na dimensão afetiva", explica a psicóloga.
Controlo parental não substitui a comunicação entre pais e filhos
A psicóloga nota ainda que muitas crianças tentam reproduzir comportamentos vistos online, muitas vezes com irmãos, primos ou colegas, sem compreender o seu significado. Acrescenta que o controlo parental é insuficiente para travar o problema: "As crianças e jovens hoje têm uma literacia digital que é muito maior, muito mais sofisticada comparativamente com a dos seus pais."
Defende, por isso, que o diálogo e a educação sexual devem começar cedo, "desde os 3 ou 4 anos", com noções simples sobre o corpo, o respeito e os limites.
"Quando os adultos não estão confortáveis para falar de sexualidade, as crianças procuram respostas noutro lado e, muitas vezes, é nas redes sociais."
Rute Agulhas considera também essencial o papel do Estado na criação de políticas públicas continuadas que promovam uma verdadeira educação para a sexualidade e para o uso responsável da internet. "Não podemos continuar a reagir apenas quando há casos mediáticos", frisou.
Trump assina ordem executiva para compra do TikTok
Enquanto o debate sobre os riscos digitais se intensifica, o TikTok volta a estar no centro das atenções. Donald Trump assinou uma ordem executiva que abre caminho à compra da aplicação por investidores norte-americanos, avaliando a operação em cerca de 14 mil milhões de dólares (12 mil milhões de euros).
O Presidente dos EUA afirma ter recebido o "aval" de Pequim para o avanço do negócio, embora a China ainda não tenha confirmado oficialmente a autorização necessária para a transferência. A ausência de representantes chineses na cerimónia de assinatura na Casa Branca é vista como um sinal de reserva por parte de Pequim.
A plataforma, onde se partilham vídeos curtos e desafios virais, tem hoje mais de 400 milhões de utilizadores e é dominada por um público jovem.
