Os três menores chegaram durante o ano letivo passado ao Agrupamento de Escolas da Bobadela, para frequentarem o 2.º, 3.º e 8.º anos. Vieram do Paquistão com os pais, que alegam estar a fugir dos talibã.
Os primeiros tempos foram passados no centro do Conselho Português para os Refugiados, organização que continua a acompanhar a família.
Mudaram-se, entretanto, para a Amadora e em agosto foi dado início ao processo de transferência de escolas. Até agora sem sucesso.
“Infelizmente da DGEST ainda não tivemos resposta. Esta não é a nossa experiência habitual com os serviços. Entendemos, e do que vemos, que a Área Metropolitana de Lisboa é a que está mais sobrecarregada. Queremos acreditar que é isso que está a dificultar. (...) Já vamos quase nas 10 escolas contactadas”, afirma Bárbara Oliveira, do Conselho Português para os Refugiados.
As crianças estão, por isso, sem ir às aulas. Alguns professores da escola de origem, na Bobadela, defendem que a família deve ser denunciada e sinalizada à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens por absentismo escolar.
A direção do Agrupamento Escolar da Bobadela recusou falar com a SIC.
“A escola justifica dizendo que tem outras crianças que vêm todos os dias. Percebemos o lado da escola, também estão obrigados a legislação que têm de cumprir”, explica a responsável do Conselho Português para os Refugiados.
“As crianças estão seguras e bem cuidadas por uns pais que são bons pais e têm competências de parentalidade. Estão preocupados porque querem, como todos nós, que as crianças estejam na escola”, acrescenta.
Algumas das escolas contactadas não responderam, sequer, aos pedidos de transferência.
A SIC contactou o Ministério da Educação, que só respondeu já depois da emissão da reportagem, a informar que as crianças já foram colocadas numa escola. O Ministério não justificou, no entanto, a demora.
[Nota: notícia atualizada às 20h45 para acrescentar resposta do Ministério da Educação]