Rui Rio despediu-se esta sexta-feira da liderança do PSD. Depois de quatro anos e quatro meses à frente do maior partido da oposição, o líder cessante reconheceu em entrevista exclusiva à SIC Notícias que poderia ter feito diferente em alguns momentos, mas que “obviamente há acidentes de percurso”.
Em entrevista à SIC Notícias, antes do discurso no 40.º Congresso do PSD, Rui Rio não adiantou o que pretende fazer no futuro. No entanto, deixou duas certezas: mantém-se no Parlamento até julho e Belém não está nos seus planos por agora.
“Acho que não vou pensar nisso, neste momento, não tenho vontade nenhuma. Vou parar. Faço umas férias a sério e nessas férias vou fazer uma reflexão sobre aquilo que me pode apetecer fazer agora”, referiu.
Rio falou ainda sobre a atualidade política e o seu mandato. O líder cessante dos sociais-democratas disse que o despacho do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, sobre a solução aeroportuária para a região de Lisboa é “demasiado grave” e que revelou uma “descoordenação do Governo”. Rui Rio afirmou ainda que tem dificuldades em acreditar nas palavras do ministro sobre a sua decisão.
Durante a tarde de ontem, Rio criticou o primeiro-ministro por não ter demitido Pedro Nuno Santos e pediu a Marcelo Rebelo de Sousa para intervir. “Se estivesse no papel de Presidente da República teria sido mais duro”, acrescentou. No entanto, o ex-presidente do PSD acredita que “António Costa não sabia, o ministro desafiou-o”.
Rui Rio acrescenta que não é responsabilidade do PSD os atrasos que se verificaram no avanço do novo aeroporto de Lisboa. “Estive disponível para se fazer a avaliação ambiental estratégica e para mudar a lei do país que se aplica transversalmente a tudo. A responsabilidade não é mesmo do PSD”, revelou.
O líder cessante disse ainda que se não há Montijo é porque “há duas câmaras municipais, na altura do partido comunista, que não permitiram que isso acontecesse”. A par destas declarações, reforçou a ideia de que “o meu objetivo na política nunca foi criar mossa no Governo”, mas antes estar ao dispor dos portugueses.
Quando questionado sobre o seu posicionamento em relação ao Chega, Rio disse que foi claro nesse aspeto. O ex-presidente social-democrata admite que gostaria que os deputados do partido de André Ventura votassem a favor de um Governo social-democrata, mas “sem nenhuma negociação em que o Chega quisesse impor coisas que sejam impossíveis para o PSD aceitar”.
Rui Rio é, neste momento, o quarto líder do PSD mais duradouro, atrás de Cavaco Silva, Passos Coelho e Durão Barroso. O ex-presidente social-democrata tinha mandato até dezembro de 2023.
