Quatro anos depois, 10 arguidos começaram esta segunda-feira a ser julgados pelas ofensas ao antigo coordenador da vacinação contra a covid-19 - agora candidato à presidência da República - e também ao ex-presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.
"Assassino!", "Respeita a Constituição!", "Não tocas nas crianças!", ouvia-se à porta de um restaurante perto do Parlamento. O episódio ficou marcado na memória de Ferro Rodrigues, ao ponto de o relatar no seu livro. Hoje, teve de relembrá-lo em tribunal. O grupo de manifestantes que o cercou em frente ao restaurante é agora julgado por ameaças e injúrias.
"Nunca mais vais ter paz! Nem este restaurante, porque acolhe um cliente que é assassino", gritavam.
Ferro Rodrigues recorda especialmente uma mulher com megafone:
"A senhora do megafone ficou, para mim, inesquecível."
Essa mulher, Anabela Seabra, é a única dos dez arguidos facilmente identificada em tribunal. Sete decidiram prestar declarações. Alguns admitem os insultos, mas consideram-nos meras expressões de protesto, uma "força de expressão".
Fora da vida política ativa, Ferro Rodrigues diz que aproveitou o tempo para investigar. No tribunal, referiu ligações de alguns dos arguidos à extrema-direita.
"Já estou um pouco vacinado contra a extrema-direita. E eles sabem isso. Façam uma pesquisa no Google e verão nomes destes arguidos ligados à constelação de partidos de extrema-direita."
Dentro da sala de audiências, nomeou o extinto partido Ergue-te, o ADN e a associação Defender Portugal.
O julgamento inclui também os insultos dirigidos a Gouveia e Melo. Na altura, era o rosto da vacinação. Hoje é candidato a Belém. Mesmo assim, o tribunal não o conseguiu notificar para depor.
À SIC, a assessoria de Gouveia e Melo diz que desconhecia a realização da primeira sessão de julgamento.
