O ex-deputado do Chega Miguel Arruda admitiu os furtos de malas no aeroporto em mensagens trocadas com a mulher. A SIC teve acesso à acusação, que refere crimes cometidos em pelo menos 13 viagens entre Lisboa e São Miguel.
Há quase um ano, uma mochila azul e cinzenta com letras laranja foi apreendida na Assembleia da República. Três meses antes, a 16 de outubro de 2024, uma mochila com as mesmas características tinha desaparecido no aeroporto de Lisboa.
Foi nesse mesmo dia que o então deputado do Chega, Miguel Arruda, trocou mensagens com a mulher. A conversa está transcrita na acusação a que a SIC teve acesso.
"Onde arranjaste isso?"
"Não interessa, heheheheh. Queres ou não? É original"
"Sabes que há câmaras nos aeroportos? Que medo de seres apanhado. Que vergonha"
O Ministério Público considera esta troca de mensagens apenas uma de pelo menos sete que servem de prova dos furtos de malas no aeroporto de Lisboa.
Noutra mensagem, Miguel Arruda escreve:
"Mais uma oferta que 'comprei'."
Entre outubro de 2024 e janeiro de 2025, Miguel Arruda terá furtado 20 malas de viagem em pelo menos 13 deslocações entre Lisboa e Ponta Delgada. Numa dessas viagens, terá sido apanhado em flagrante delito.
Roupa oferecida a amigos ou vendida na Vinted
O Ministério Público escreve que os bens das malas furtadas tinham como destino ser usados pelo próprio e pela mulher, oferecidos a pessoas próximas do casal ou colocados à venda em plataformas como a Vinted.
Miguel Arruda era deputado do Chega quando os furtos terão ocorrido. Passou a deputado independente quando foi constituído arguido.
Está agora fora da Assembleia da República, no momento em que é formalmente acusado de 21 crimes: 20 de furto e um de tentativa de furto. A mulher está acusada do crime de recetação.
A defesa do antigo deputado vai pedir a abertura de instrução, numa tentativa de travar a ida a julgamento.