Anúncios (com óculos) de Montenegro num debate com vários "falhanços", o "milagre da multiplicação" e o aviso ao PS
António Cotrim/LUSA

Terminado

Política

Anúncios (com óculos) de Montenegro num debate com vários "falhanços", o "milagre da multiplicação" e o aviso ao PS

O primeiro-ministro Luís Montenegro regressou ao Parlamento para o primeiro debate quinzenal da nova legislatura. No discurso, que deu o tiro de partida à discussão, Montenegro anunciou, desde logo, um novo conjunto "amplo" de medidas na área da habitação, incluindo aumento das deduções à coleta para inquilinos e diminuição de taxas para senhorios. Apesar da discussão serena, houve momentos mais tensos e até um aviso ao PS. Reveja, abaixo, os principais momentos do primeiro debate pós-férias de verão.

Todo o direto

"Está terminado, até à próxima"

O presidente da Assembleia da República dá por termina a discussão. "Está terminado. Agradeço a presença do Governo, do senhor primeiro-ministro. Até uma próxima oportunidade, vamos todos trabalhar a bem do país".

Eurico Brilhante faz interpelação à mesa

O líder parlamentar do PS pediu a palavra por ter sido "proferido que os partidos da oposição não apresentavam propostas, quero que fique claro que o secretário-geral do PS fez três perguntas: defesa, habitação e sobre urgências, e gostaria que ficasse claro que na primeira oportunidade o Governo vai responder a estas perguntas".

"Vou ter de pôr os óculos. São tantas reformas que em letra maior não cabiam"

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Nos minutos finais do debate, e em resposta ao "impeto reformista" destacado pelo líder da bancada do PSD, o primeiro-ministro teve de pôr os óculos e fez questão de explicar o porquê: "Vou ter de pôr os óculos porque são tantas reformas que a única forma de caberem numa página" foi recorrer a letra pequenina, "em letra maior não cabiam as 20 medidas".

"Já não se pode ser simpático com a bancada do Chega?"

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O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, protagonizou um momento mais descontraído no debate quinzenal porque o líder socialista se esqueceu de dar as boas-vindas ao deputado do Chega, Rui Fernandes, que assume o lugar de Mithá Ribeiro, apesar de José Luís Carneiro o ter feito em relação à deputado do Bloco, Andreia Galvão.

Hugo Soares responde ao "fanfarrão" socialista e ao "caranguejo" Ventura

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O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, ataca "o discurso fanfarrão de José Luís Carneiro" (PS) e o do "caranguejo André Ventura" (Chega) que "nunca volta para trás mas está sempre a fazê-lo".

Hugo Soares citou afirmações de Carneiro no debate quinzenal sobre uma mulher que deu à luz na rua este verão, dizendo que tal seria "um cenário nunca visto neste país".

"Em 2022, o senhor deputado era membro do Governo, nasceram 18 crianças na via pública. Em 2023 nasceram 15 crianças na via pública... Eu queria aconselhar o senhor deputado José Luís Carneiro para aprender menos na forma de fazer política com o Chega, porque depois os factos desmentem-no e tem que vir melhor preparado", aconselhou.

Soares deixou também críticas ao presidente do Chega, André Ventura, por ter dito, a propósito da lei dos estrangeiros, que o seu partido nunca anda para trás.

"Ó senhor deputado André Ventura, lembra-se quando disse que ponderava muito apoiar o almirante Gouveia e Melo? Recorda-se quando anunciou ao país que não queria ser Presidente da República, mas primeiro-ministro?", questionou, dando vários outros exemplos.

"O senhor deputado não faz mais nada do que andar para trás, faz-me lembrar o caranguejo. A quantidade de vezes que diz uma coisa e outra, já ninguém acredita em si", acusou.

Paulo Núncio (CDS) e os "dois países: o da fição de Centeno e o real"

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O centrista Paulo Núncio inicia a sua intervenção a falar sobre "dois países distintos: o da ficção, das previsões de Mário Centeno, o real é o das contas nacionais publicadas pelo INE".

Para provar "as diferenças", Núncio compara as previsões do governador do Banco de Portugal e os dados do INE relativamente ao crescimento da economia (1.7% vs 2.1%), ao investimento (2.1% vs 2.8% no primeiro semestre) e ao desemprego (6.4% vs 5.9% e com tendência de descida).

"Será azar ou falta de competência?" pergunta, de forma irónica, o deputado do CDS-PP

Montenegro diz não ter a resposta mas diz que "às vezes temos tendência para achar que as previsões, seja de pessoas com reputação ou instituições, são resultado, mas não são e são previsões que quase nunca acertam. Portanto, acho que o país ganha se se concentrar nos resultados e esses são bons"

JPP e a "mobilidade digna e acessível" para as regiões autónomas

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Ainda a adaptar-se ao limite de tempo, o deputado único do JPP, Filipe Sousa, questionou o Governo sobre "quando vai garantir a mobilidade digna e acessivel" para as regiões autonómas, "sem plataformas ou qualquer tipo de linhas de crédito".

Na resposta, Montenegro reitera que o Governo está "comprometido com a mobilidade entre continente e regiões autónomas e entre regiões entre si", prometendo "simplificar procedimentos".

"Temos em curso um processo para que as pessoas não tenham de adiantar o valor das suas passagens e depois ficar à espera de serem compensados por isso", responde Montenegro, frisando assim que "se trata de um compromisso pleno e que já está plenamente realizado".

PAN questiona Montenegro sobre pega do secretário de Estado Paulo Núncio

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A deputada do PAN, Inês Sousa Real, pediu ao primeiro-ministro para enviar o secretário de Estado da Agricultura para a reforma, acusando-o de conflito de interesses. Em causa a pega falhada do centrista Paulo Núncio numa ação de campanha em Vila Franca de Xira.

"O senhor secretário de Estado achou que uma entidade que tinha o dever de fiscalizar era o lugar onde deveria estar, num claro conflito de interesses. E, portanto, eu pergunto-lhe quando é que vai mandar o secretário de Estado para a reforma, para devolver a dignidade à tutela do Ministério da Agricultura?"

O primeiro-ministro lamentou o "ataque pessoal", sustentando que tal "não merece resposta".

O "importante é concentrarmo-nos em resolver o problema das pessoas. O Governo continua a avaliar a agricultra portuguesa e a fazer desse um setor estratégico (...) focado em dar desenvolvimento e rendimento" mas garantindo o bem-estar animal.

Andreia Galvão questiona Montenegro sofre a "asfixia social"

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Na sua estreia no Parlamento, a deputada do Bloco de Esquerda Andreia Galvão, que está a substituir Mariana Mortágua, questionou Montenegro sobre "a asfixia social" em que ter "casa é o mínino para uma vida digna" e "o futuro que está ser roubado aos jovens (...), como é possível que, perante isto, a medida do "Governo seja o fim do aumento das rendas, o ataque à segurança laboral, e a eternização do trabalho temporário".

Montenegro alerta, na resposta, que "esta reiterada posição contra tudo tem conduzido o Bloco de Esquerda ao que levou a senhora deputada a estar ai sozinha".