Elementos do Grupo 1143 dizem que o deputado Rui Afonso, do Chega, lhes pediu que viajassem com ele até Lisboa para fazerem serviço de guarda-costas durante uma manifestação contra os imigrantes. Rui Afonso nega tudo.
O caso remonta a 29 de setembro de 2024, dia em que o Chega organizou uma manifestação nacional contra a imigração que, em Lisboa, juntou três mil pessoas.
À saída do Porto, imagens gravadas nesse dia mostram cinco autocarros alugados pelo Chega - a maior parte transportou elementos do movimento ultranacionalista. Dizem que foram à manifestação a convite do deputado Rui Afonso, com um objetivo bem definido.
“Pediu a nossa presença para assegurar e fazer de guarda-costas. Eu tenho provas disso, eu fui ao lado desse deputado mesmo para assegurar a segurança dessa pessoa”, conta André Silva, um dos elementos do Grupo 1143.
Num vídeo do interior do autocarro, o deputado do Chega Rui Afonso aparece ao lado de André Silva e a conversar com Gil Costa, líder do Grupo 1143 após a prisão de Mário Machado.
“Quando chegámos a Lisboa, saiu do autocarro e foi encaminhado por nós, fizemos uma caixa [de segurança] até ele chegar até chegar junto do resto dos deputados”, acrescenta Gil Costa.
“No final ligou para nós e fomos buscá-lo.”
À SIC, Rui Afonso diz que é mentira, que nunca convidou nenhum grupo para ir à manifestação e que não tinha conhecimento de que eram do Grupo 1143, porque não estavam identificados.
Rui Afonso diz que só se apercebeu que estava a viajar com o Grupo 1143 quando o grupo começou a entoar cânticos, durante a viagem, e diz mesmo que "se soubesse, não teria entrado no mesmo autocarro".
Ao que a SIC apurou, o verniz estalou quando o partido apertou o cerco e o Grupo 1143 deixou de ser bem-vindo.
Rui Afonso terá avisado outro dirigente do Chega, que se preparava para ir até ao Algarve com o grupo neonazi, que podia vir a ser expulso do partido. A mensagem terá ido parar às mãos do grupo.
Na semana passada, a PJ deteve 37 pessoas do Grupo 1143 por suspeitar que estavam a planear ações contra imigrantes em Portugal. Cinco ficaram em prisão preventiva.
