Pequenas grandes histórias

Jovem de 18 anos é vacinado contra a vontade da mãe e convidado a discursar no Congresso dos EUA

Patrícia Almeida

Patrícia Almeida

Texto e edição

Jornalista

Ato de rebeldia valeu-lhe um convite para debater a vacinação nos EUA ao lado de pediatras e autoridades de saúde.

Quando fez 18 anos, Ethan Lindenberger tomou uma decisão: vacinar-se. A mãe sempre foi contra. Ficou chocada quando se apercebeu do ato de rebeldia do filho. Agora "sente-se orgulhosa porque o filho está a defender o que acredita" mesmo contra as suas convicções, explicou à CBS News.

Ethan Lindenberger tornou-se, em poucas semanas, numa espécie de herói nacional, dos ativistas a favor das vacinas a ponto de chamar a atenção do Congresso norte-americano.

Ethan Lindenberger no Capitólio

Na passada terça-feira foi contar a sua história aos senadores. Primeiro, começou a procurar informação nos Centros de Controlo de Doenças, das Autoridades Sanitárias, organizações de Saúde Pública e revistas cientificas, ao contrário da mãe que se procurava respostas na internet.

Sempre que lhe mostrava os conteúdos científicos que garantiam que as vacinas contra o sarampo, papeira e rubéola não causavam autismo a mãe respondia "isso é o que eles querem que penses".

Os receios de Jill Wheeler começaram depois de vacinar os dois filhos mais velhos. Começou a ler, a fazer perguntas e a informar-se no Facebook.

O jovem de 18 anos reconhece e compreende as preocupações da mãe e aponta o dedo à desinformação que circula abundantemente na internet.

Ethan decidiu então escrever um artigo na Reddit, com o título: "Os meus pais são um pouco estúpidos e não acreditam em vacinas. agora que tenho 18 anos, onde vou me vacinar? posso me vacinar na minha idade?"

Recebeu milhares de repostas ao ponto de chamar a atenção de sendores norte-americanos.
Em dezembro foi vacinado contra a gripe, hepatite, tétano e HPV.
O irmão de Ethan, agora com 16 anos, quer ir pelo mesmo caminho, mas terá de esperar mais dois anos.

Vacinação nos EUA

Nos EUA vacinas são obrigatórias para se poder frequentar a escola, mas em 47 dos 50 estados são permitidas exceções por razões pessoais, filosóficas e religiosas. Na Califórnia, Mississipi e Virgínia Ocidental prevalecem as razões médicas.

O número de crianças vacinadas nos EUA tem vindo a diminuir. Atualmente apenas 80% estão protegidas. A OMS recomenda uma taxa de vacinação superior a 95%.
O tema está a preocupar as autoridades norte-americanas e os surtos de sarampo, que se têm registado no país, têm contribuído para aumentar os receios.

Os movimentos antivacinas são apontados como responsáveis pelo ressurgimento de doenças como o sarampo em países onde já estava controlado.

Em 2000, o sarampo foi dado como erradicado nos EUA, mas ao longo das últimas quase duas décadas, o fenómeno tem vindo a aumentar.