Admirável Mundo Novo

EPISÓDIO COMPLETO

"Os povos indígenas são os guardiões das florestas"

As florestas tropicais são o laboratório de Filipa Palmeirim. Tem corrido o mundo a investigar as respostas da biodiversidade a perturbações causadas por atividade humana. O que acontece quando milhares de quilómetros quadrados de floresta tropical são alagados pela criação de uma barragem?

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Filipa Palmeirim guia-nos por florestas alagadas no Brasil e na Ásia e por florestas comunitárias em África. Na Amazónia, estudou o impacto do gigantesco reservatório criado pela Barragem de Balbina nas populações da lontra-gigante.

Nessa área alagada, equivalente a três terços do Algarve, as partes mais altas da floresta submersa formaram mais de 3500 ilhas: fragmentos insulares florestais. 35 anos depois, a decomposição das árvores submersas continua a gerar emissões de metano.

No terceiro episódio do Admirável Mundo Novo, Filipa Palmeirim destaca os resultados da COP30, "uma COP histórica, marcada pela maior participação de sempre de povos indígenas".

Barragem de Balbina inundou mais de 4.000 km² de floresta tropical na Amazónia

Mais de 900 representantes de povos indígenas e comunidades tradicionais estiveram presentes na Zona Azul, o coração político da COP, onde têm lugar as negociações oficiais.

"A participação ativa de comunidades locais e da sociedade civil é um passo chave para aumentar tanto a eficácia como a legitimidade das ações climáticas", sublinha Filipa Palmeirim. "Os povos indígenas e as comunidades tradicionais detêm conhecimento único, muitas vezes milenar, que pode ajudar nestas ações. Além de serem verdadeiros guardiões das florestas."

A ecóloga portuguesa destaca ainda a importância do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado na COP30. O mecanismo mais ambicioso de sempre contra o desmatamento pretende inverter a lógica económica da desflorestação, tornando mais vantajoso para os países manter a floresta do que cortá-la.

Os países que protegem as suas florestas tropicais serão financeiramente compensados.

Densidade populacional da lontra-gigante reduziu drasticamente na zona alagada

Este novo fundo global não funcionará com doações mas com investimentos públicos e privados, que aplicará em ativos financeiros. O rendimento gerado financiará a conservação das florestas e dará retorno aos investidores.

Portugal já anunciou um investimento de um milhão de euros. A Noruega investirá quase 3.000 milhões de euros, o maior valor anunciado até agora.

20% do fundo será destinado a povos indígenas e comunidades tradicionais.

Ficha Técnica:

  • Jornalista: Miriam Alves
  • Imagem: Rogério Esteves e Paulo Cepa
  • Edição de Imagem: Andrés Gutierrez
  • Grafismo: Patrícia Reis
  • Produção: Diana Matias
  • Colorista: Gonçalo Carvoeiras
  • Direção: Marta Brito dos Reis e Bernardo Ferrão