É na Casa do Alentejo, em Lisboa, que encontramos Carlos Martins e os cantadores que alinharam nesta abordagem. No novo disco, "Vagar", o conceituado músico de jazz português juntou este género musical ao cante alentejano.
Em entrevista à SIC, diz: "A origem do cante alentejano, como de muita música improvisada europeia, é a música do mediterrâneo. Devo confessar que aprendi muito mais com eles do que eles comigo. O Hugo Bentes e o Pedro Calado são amigos e cantadores exímios, mas os jovens que escolheram à volta são extraordinários. Sabem música, cantam que é um disparate, como se diz. E garantem uma coisa que é sagrada: a continuidade da música alentejana, do cante alentejano e, desta música imaterial e património da humanidade".
Neste trabalho, Carlos Martins juntou uma "equipa" de alentejanos que incluiu o escritor José Luís Peixoto e o fotógrafo José Manuel Rodrigues.
"A ideia foi que pensássemos o que é ser alentejano hoje. Curiosamente, todos nós saímos do Alentejo, viajámos, 'fomos lá além', como diz o José Luís Peixoto", conta.
Para dar título ao décimo álbum, escolheu uma palavra muito alentejana, "Vagar", e explica porquê "é preciso escutar o Alentejo; é preciso voltar outra vez a conectarmo-nos uns com os outros, humanos, de uma forma diferente, com 'vagar'. Portanto, este disco também é um manifesto da desaceleração, um manifesto pela preservação de uma maneira de viver inteligente que respeite os seres vivos e que respeite a natureza à nossa volta".
A apresentação ao vivo está marcada para o dia 17 deste mês, no no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
