Cartaz

O jazz e o rap encontram-se no Cartaz

O pianista e compositor João Paulo Esteves da Silva apresentou, dia 3 de dezembro, o disco "País Distante" na Fundação Oriente em Lisboa. O rapper Papillon prepara a estreia em nome próprio no Coliseu dos Recreios, dia 20 de março, para apresentar o mais recente álbum "Wonder". Dois artistas de géneros musicais diferentes e com novos trabalhos, que estiveram no Cartaz.

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João Paulo Esteves da Silva apresentou, pela primeira vez ao vivo, o novo disco "País Distante", num concerto de sala cheia, na Fundação Oriente.

"Foi muito bem acolhido", diz o pianista. Mas acrescenta o que sentiu: "Depois do último acorde estou no desemprego". O músico alerta para a situação precária dos músicos independentes que não têm um emprego assegurado.

Também professor na Escola Superior de Música, sublinha que há atualmente mais quantidade e qualidade de músicos de jazz, em comparação com a altura em que começou a tocar, aos 18 anos.

A editora Artway, com sede no Porto, criou um catálogo de Jazz e "País Distante" é o primeiro álbum que lança.

Um marco para João Paulo Esteves da Silva que, 30 anos após o disco de estreia "Serra Sem Fim", volta a ter um quarteto. Dessa formação original só ficou o baterista José Salgueiro. Diz o pianista: "Não fiz nada para não tocar em quarteto. As coisas acontecem naturalmente". Tocou em trio, com orquestras, fez discos com os fadistas Ricardo Ribeiro e Cristina Branco, e colaborou com artistas como Sérgio Godinho e Vitorino.

O novo trabalho recupera algumas das primeiras composições que não ficaram registadas no disco de 1995, entre as quais a que dá nome ao álbum, "País Distante". O músico justifica a escolha do título com as circunstâncias: viveu oito anos em França e voltou "com uma atitude de reencontro com o país, o ser português".

A estreia de Papillon no Coliseu dos Recreios

Papillon, nome artístico de Rui Pereira, nasceu em Portugal mas só obteve a nacionalidade portuguesa na adolescência.

"Não é só ter um cartão do cidadão. Às vezes é mesmo a diferença entre termos a vida que nós queremos ou a vida que estamos a ambicionar ter", diz o rapper.

Foi jogador de futebol, mas como não tinha a situação regularizada não podia ser federado.

Um acidente travou-lhe o sonho de ser futebolista.

"Vi a capacidade que a música tem de ajudar a ultrapassar as situações mais difíceis."

Depois do coletivo GROGNation, decidiu-se por uma carreira a solo. "Wonder" fecha a trilogia que começou em 2018. Um álbum influenciado pela paternidade.

"Deu-me uma perspetiva fresca sobre a vida e sobre o mundo."

Bárbara Tinoco e Carla Prata participam no álbum. Diz o rapper que tinham de ser vozes femininas porque o disco é também inspirado pelas mulheres da sua vida, desde a mãe, à filha, e numa "nova perpetiva do feminino".

"Wonder" é um disco conceptual que "que deve ser ouvido da primeira à última faixa, de seguida".

O Cartaz é exibido na SIC, à quinta-feira, pouco depois das 02h00.

Ficha Técnica:

  • Apresentação: Sílvia Lima Rato
  • Coordenação: Graça Costa Pereira
  • Produção: Diogo Matias Amador
  • Realização: Luís Narciso