João Paulo Esteves da Silva apresentou, pela primeira vez ao vivo, o novo disco "País Distante", num concerto de sala cheia, na Fundação Oriente.
"Foi muito bem acolhido", diz o pianista. Mas acrescenta o que sentiu: "Depois do último acorde estou no desemprego". O músico alerta para a situação precária dos músicos independentes que não têm um emprego assegurado.
Também professor na Escola Superior de Música, sublinha que há atualmente mais quantidade e qualidade de músicos de jazz, em comparação com a altura em que começou a tocar, aos 18 anos.
A editora Artway, com sede no Porto, criou um catálogo de Jazz e "País Distante" é o primeiro álbum que lança.
Um marco para João Paulo Esteves da Silva que, 30 anos após o disco de estreia "Serra Sem Fim", volta a ter um quarteto. Dessa formação original só ficou o baterista José Salgueiro. Diz o pianista: "Não fiz nada para não tocar em quarteto. As coisas acontecem naturalmente". Tocou em trio, com orquestras, fez discos com os fadistas Ricardo Ribeiro e Cristina Branco, e colaborou com artistas como Sérgio Godinho e Vitorino.
O novo trabalho recupera algumas das primeiras composições que não ficaram registadas no disco de 1995, entre as quais a que dá nome ao álbum, "País Distante". O músico justifica a escolha do título com as circunstâncias: viveu oito anos em França e voltou "com uma atitude de reencontro com o país, o ser português".
A estreia de Papillon no Coliseu dos Recreios
Papillon, nome artístico de Rui Pereira, nasceu em Portugal mas só obteve a nacionalidade portuguesa na adolescência.
"Não é só ter um cartão do cidadão. Às vezes é mesmo a diferença entre termos a vida que nós queremos ou a vida que estamos a ambicionar ter", diz o rapper.
Foi jogador de futebol, mas como não tinha a situação regularizada não podia ser federado.
Um acidente travou-lhe o sonho de ser futebolista.
"Vi a capacidade que a música tem de ajudar a ultrapassar as situações mais difíceis."
Depois do coletivo GROGNation, decidiu-se por uma carreira a solo. "Wonder" fecha a trilogia que começou em 2018. Um álbum influenciado pela paternidade.
"Deu-me uma perspetiva fresca sobre a vida e sobre o mundo."
Bárbara Tinoco e Carla Prata participam no álbum. Diz o rapper que tinham de ser vozes femininas porque o disco é também inspirado pelas mulheres da sua vida, desde a mãe, à filha, e numa "nova perpetiva do feminino".
"Wonder" é um disco conceptual que "que deve ser ouvido da primeira à última faixa, de seguida".
O Cartaz é exibido na SIC, à quinta-feira, pouco depois das 02h00.
Ficha Técnica:
- Apresentação: Sílvia Lima Rato
- Coordenação: Graça Costa Pereira
- Produção: Diogo Matias Amador
- Realização: Luís Narciso
