Casos de Polícia

A morte de Noori continua envolta em mistério: afinal o que aconteceu à jovem do cabelo azul?

Carolina Torres enfrentava problemas familiares desde os 10 anos e vivia na rua após conflitos em casa. Apesar das autoridades considerarem suicídio, a família continua à espera do relatório de autópsia e não descarta intervenção de terceiros.

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Carolina Torres tinha 18 anos quando desapareceu, em outubro do ano passado. O corpo foi encontrado um mês e meio depois numa praia da Figueira da Foz. A família continua à espera de que as autoridades entreguem o relatório da autópsia e esclareçam as dúvidas sobre o desaparecimento.

O corpo de Carolina foi localizado a 16 de novembro, na Praia da Leirosa, na Figueira da Foz, a mais de 200 quilómetros de Almada, onde vivia. A identidade só viria a ser confirmada duas semanas depois, devido ao avançado estado de decomposição em que se encontrava.

A jovem tinha desaparecido a 9 de outubro. Os pais fizeram vários apelos nas redes sociais, e o desaparecimento emocionou o país. Todos queriam saber o que tinha acontecido à menina do cabelo azul, conhecida como Noori, nome escolhido por ela na adolescência, sem género, como gostava de se identificar.

Carolina Torres nasceu a 18 de junho de 2007, filha de um militar da Marinha e de uma enfermeira. Os pais separaram-se quando ela tinha 10 anos, altura em que o comportamento da jovem começou a mudar.

O pai foi trabalhar para o estrangeiro. Carolina mantinha boas notas escolares, não faltava às aulas e continuava a relacionar-se com os amigos de sempre. A mãe chegou a pensar que Carolina tinha finalmente aceite o novo contexto familiar e que a pior fase já teria passado, mas a realidade era diferente.

No final desse ano letivo, Carolina foi passar as férias à casa da avó, no Alentejo, e a mãe garante que o comportamento da jovem até melhorou. A situação manteve-se estável até aos 14 anos, altura em que o silêncio de Carolina começou a preocupar a mãe.

Ao regressar à casa da mãe, apresentou queixa contra o pai por violência doméstica. Acabou por retirar a queixa, e o processo foi arquivado. Voltou à casa paterna, e a psicóloga sugeriu acompanhamento pedopsiquiátrico. Carolina começou então a ser medicada.

A medicação não podia ser tomada com álcool ou drogas, mas os consumos da jovem tornaram-se cada vez mais frequentes.

Quando fez 17 anos, decidiu mudar de escola. Queria fazer Artes e pediu matrícula na Escola António Arroio, em Lisboa, passando a viver na casa do pai.

A situação em casa do pai piorava. As discussões eram cada vez mais frequentes e, em julho do ano passado, decidiu tornar-se independente. Saiu de casa e passou a viver na rua.

Carolina manteve contacto com os pais por telefonemas e mensagens. Num desses dias almoçou com a mãe, que a convenceu a regressar a casa. Regressou, mas por pouco tempo. A jovem voltou a viver na rua.

A última vez que falou com a mãe foi a 9 de outubro, por volta da hora de almoço. Os pais apresentaram queixa na Polícia Judiciária de Setúbal e tentaram rastrear os últimos passos da filha.

Sabe-se que apanhou um autocarro da Escola António Arroio até à Praça São João Batista, onde dormia, e depois marcou um encontro com um amigo na Estação Gil Vicente, a poucos metros do local onde pernoitava.

Um mês e uma semana depois, a 16 de novembro, o corpo de Carolina apareceu na Praia da Leirosa, na Figueira da Foz. As autoridades consideram tratar-se de suicídio.

O Ministério Público não autorizou a cremação. A Polícia Judiciária ainda não encerrou o processo de investigação. Para a família, a morte de Carolina continua por esclarecer, e não descarta, por enquanto, a intervenção de terceiros.