Futuro Hoje

O futuro da fotografia passa por aqui, Sony Alpha One

Opinião

Para muitos especialistas a Sony Alpha One é a máquina tecnologicamente mais avançada da atualidade.

A rapidez de leitura da máquina, o ecrã do viewfinder que, quase não o sendo, parece um visor ótico, a rapidíssima focagem, podendo selecionar parâmetros para melhor focar pessoas, animais ou mais especificamente pássaros, são tudo fatores em que é excelente.

Tive a sorte de passar uns dias com a mais recente “obra de arte” da Sony. Para não variar, há muita gente a dizer que é a melhor máquina “mirrorless” do mundo. É significativa, a afirmação, mas “a melhor do mundo” não existe. Há a melhor para cada um e esta não será para muitos, estamos a falar de uma máquina profissional e, sobretudo, custa muito dinheiro. Mas estamos também a falar de algo que está noutro campeonato em relação aos potenciais concorrentes.

A crítica que posso fazer está, ainda por cima, muito limitada por algumas questões técnicas e, na minha opinião, algum descuido da marca. Não é de esperar que quem faz um teste destes invista dinheiro. Os meus cartões de memória para fotografia noutras máquinas servem perfeitamente para fazer fotos com a Alpha One mas não para vídeo. Com um cartão SD “normal” a A1 pura e simplesmente recusa gravar vídeo, porque a quantidade de informação que a máquina gera vai exigir altíssimas velocidades de gravação. Um cartão SD ou CF Express A capaz de gravar vídeo nesta máquina (pode levar os dois, e dois de cada vez) custa no mínimo umas centenas de euros.

Eu agradeço o privilégio de testar esta maquina, de facto fabulosa, mas não vou investir tanto dinheiro para a ter nas mãos uns dias. Sem ter testado vídeo é sabido que a A1 grava 8 K a 30 frames por segundo, o que faz com que, sendo uma caríssima máquina fotográfica, seja também uma máquina barata para quem precise de vídeo muitíssimo profissional.

Assim só fiz fotografias e durante uns dias. Mas é o suficiente para ficar mesmo muito bem impressionado. A Sony Alpha One é uma máquina Full Frame claro, mas com um sensor de 50 MP. Traduzindo: quanto maior o sensor, melhor! Neste caso é grande e artilhado. Este sensor tem o tamanho dos negativos de 35 mm que usavam os profissionais. Já há muitas máquinas, e geralmente caras, com sensores Full Frame mas não com 50 MP.

A simples focagem a esta velocidade é impossível para a maior parte das máquinas. Mas conseguimos distinguir as unhas do pássaro.

A simples focagem a esta velocidade é impossível para a maior parte das máquinas. Mas conseguimos distinguir as unhas do pássaro.

Lourenço Medeiros

Acrescente-se a isto a impressionante capacidade de focagem da Sony e temos o quadro da maior parte das experiências que quis fazer. Não vou estar a analisar cores e detalhes muito técnicos, há por aí muita crítica profissional que gasta horas e horas de laboratório para poder mostrar objectivamente as capacidades destas máquinas. As minhas impressões são forçosamente mais práticas e, até certo ponto, subjectivas.

Como faço quase sempre, testei umas “macros” na natureza, ou antes, tentativas, porque não tinha uma objectiva macro, e andei também a fotografar os meus cães.

Para isso contei com duas impressionantes objectivas, a Sony FE 16-35mm f/2.8 GM, excelente zoom grande angular e sobretudo usei a Sony FE 70-200mm f/2.8 GM OSS. Esta última um verdadeiro canhão que, para o tamanho e qualidade, até era impressionante de usar.

Fiz milhares de fotografias e muitos disparates enquanto aprendia a usar a máquina embora, deva dizer, que os menus da Sony estão francamente melhores, comparados sobretudo com os da própria marca que sempre foram complicadíssimos e chatos de usar. Aqui há também um salto de usabilidade.

Para mim a imagem de cima à direita resume toda a história. É o original, as outras duas são partes recortadas da primeira. Estava a fotografar o inseto na flor quando o outro se aproximou provocando a pose de defesa do território. O que me impressionou também, foi a forma como é possível ver o detalhe de cada um deles.

Para mim a imagem de cima à direita resume toda a história. É o original, as outras duas são partes recortadas da primeira. Estava a fotografar o inseto na flor quando o outro se aproximou provocando a pose de defesa do território. O que me impressionou também, foi a forma como é possível ver o detalhe de cada um deles.

Lourenço Medeiros

Não sendo um crítico profissional posso seguramente dizer que estamos perante uma máquina destinada a quem vive da fotografia ou do vídeo e, hoje em dia, grande parte dos fotógrafos faz as duas coisas. Mesmo assim, muitos terão dificuldade em pagar o preço e/ou justificar o investimento. Quem ganhe a vida com fotografia de desportos de alta velocidade ou a fotografar a vida selvagem compreenderá melhor o uso das qualidades da Alpha One.

A rapidez de leitura da máquina, o ecrã do viewfinder que, quase não o sendo, parece um visor ótico, a rapidíssima focagem, podendo selecionar parâmetros para melhor focar pessoas, animais ou mais especificamente pássaros, são tudo fatores em que é excelente. Já experimentaram fotografar uma andorinha em voo? É praticamente impossível, pelo menos para um leigo como eu. Passei algumas horas a apanhar os pássaros perto de minha casa ou no campo de treino dos cães. Os movimentos são extremamente rápidos, tudo o que podia fazer era apontar para a zona onde me parecia que ia apanhar o pássaro, ter esperança de que a máquina o conseguisse focar e ver o resultado depois.

Fazer sequências assim sem perder o foco é uma brincadeira, depois de aprender como. O detalhe é impressionante.

Fazer sequências assim sem perder o foco é uma brincadeira, depois de aprender como. O detalhe é impressionante.

Lourenço Medeiros

E a máquina focava mesmo, cheguei a perceber onde estavam alguns pássaros mais distantes apenas porque via o quadradinho verde indicador de focagem no visor, sem que eu conseguisse distinguir a ave do céu nublado. Claro que nestas condições e olhando para a imagem completa, os meus alvos pouco mais eram do que pontos dentro da área de enquadramento até que, no computador comecei a “cropar” imagens. A enquadrar apenas os pássaros. Em condições normais veria um confuso grupo de pixels ao aumentar a imagem desta maneira. Neste caso consigo até distinguir uns dos que melhor apanhei.

Contei o que mais me impressionou, os técnicos estão aí para lhe dizer o resto sobretudo se tiver os 7 mil euros necessários para comprar apenas o corpo da Alpha One. Contas por alto a Sony emprestou-me cerca de 12800€ de material para experimentar. Custa separarmo-nos da excelência. E vale a pena a experiência sem dúvida, só que poucos amadores, e certamente eu não, conseguirão justificar um investimento destes. No meu caso, é quase como se eu fosse comprar um fórmula 1 para fazer os trajetos casa trabalho. Mas aponta também a fasquia, e aponta muito alto, para a fotografia profissional nos próximos anos.

Se usar uma Alpha One prepare muito armazenamento. Isto é apenas uma amostra do que quando se tenta um retrato e cada uma das imagens é mesmo muito grande.

Se usar uma Alpha One prepare muito armazenamento. Isto é apenas uma amostra do que quando se tenta um retrato e cada uma das imagens é mesmo muito grande.

Lourenço Medeiros

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