Os códigos de barras estão em todo o lado e fazem parte do nosso dia a dia. Mudaram a forma como as lojas vendem, controlam o stock e cobram aos clientes. O sistema faz 50 anos e atravessa uma fase de transição discreta, mas profunda.
É tão fácil este gesto que nos convenceram a sermos nós próprios a tratar do “pip-pip” de passar o produto na máquina registadora. O código está aqui. São 10 mil milhões de bipes destes por dia, mais, segundo a GS1, do que buscas no Google todos os dias.
Há 50 anos apareceu o primeiro código de barras. Foi numa marca de pastilhas elásticas nos Estados Unidos. Entretanto, acrescentámos tanta, tanta informação aos rótulos dos produtos que, além de servirem para vender, começam a tornar-se incomportáveis. A indústria pode, assim, querer mudar para dar essa mesma informação gastando muito menos papel e dinheiro.
Está, por isso, em curso em vários países, incluindo Portugal, uma autêntica campanha para mudar os códigos. A mesma entidade que gere os códigos de barras quer que os produtos passem a usar código 2D, ou seja, um QR Code normalizado para a indústria e retalho.
Vamos assistir, nos próximos anos, a uma revolução semelhante àquela que foi a introdução do código de barras, porque trazemos ao consumidor toda a vantagem destes 50 anos de existência, mas que, pela primeira vez, chega diretamente ao consumidor e permite juntar num único código de barras toda esta informação: receitas, informação de sustentabilidade, informação de segurança, cumprimento de legislação, tudo num único código.
Com a câmara de qualquer telemóvel, hoje em dia, podemos ler um código assim. Vou tapar o código de barras tradicional. Ler este código dá-me aqui uma ligação que, no caso, tem a declaração nutricional obrigatória nas colheitas a partir de 2024. Isto é fácil de fazer com um código destes.
Qual é a diferença desta norma? É que o código tanto tem a informação obrigatória para o consumidor como toda a informação que a indústria precisa.
Claro que a indústria, se quiser adotar esta norma, ganha alguma coisa com isto. Este frango tem validade para mais cinco dias. É importante para a loja saber o que comprou, onde comprou e o que ainda tem em loja a cada momento. Isso é gestão de stocks.
Mas também pode ganhar o consumidor: ao chegar à caixa, o código identifica automaticamente se o produto está ou não dentro do prazo e, no caso de não estar, não é vendido.
O código de barras não é só o preço. Aqui, este pato tem o código de barras que indica o preço na embalagem; na caixa de transporte existem outros três códigos de barras fundamentais para a loja e para toda a indústria que está por trás.
Por exemplo, número de ordem, número de processo, país de origem, embalagem, prazo de validade, peso, país onde foi processado, uma quantidade enorme de informação que, atualmente, é dada em três códigos diferentes e que pode passar a ser incluída num só código, parte dela sendo ainda passada ao consumidor.
Por trás de um código de barras existe uma lógica, uma estrutura de atribuição a cada produto. As 9 300 empresas representadas pela GS1 Portugal começam com o prefixo 560; depois, a cada empresa é atribuído um código específico.
Sabemos, assim, exatamente quais produtos são codificados por cada empresa. Cada referência, cada produto, uma garrafa de água de 33 centilitros tem um código, uma de meio litro terá outro, e há ainda um dígito de controlo que valida toda esta informação. No caso da distribuição, a complexidade é maior porque existem muito mais paletes do que produtos.
Qualquer medicamento com receita médica já tem que incluir, por exemplo, o prazo de validade entre a informação disponível para o consumidor. Com o novo código da GS1, será possível incluir toda a bula com a informação do medicamento na leitura de um pequeno quadradinho.
A GS1 é a entidade que a indústria criou para garantir que todos usam as mesmas normas, pelo menos nos 118 países onde está presente. A informação que aparece em cada código será da responsabilidade do produtor.
Toda a informação a que o consumidor quer aceder, seja um reencaminhamento para o site, uma receita, uma informação nutricional ou dados de sustentabilidade, é controlada pela indústria. E acha que a indústria vai querer? A indústria quer responder àquilo que o consumidor procura.
E por que dar uma nova vida aos códigos que já conhecemos? A simples melhoria da gestão de stocks pode fazer com que uma grande cadeia de supermercados poupe milhões de euros.
