Investigação SIC

Multinacional dinamarquesa arrasta empresas portuguesas de reboque portuário para a falência

Empresas portuguesas estão a ficar sem meios para operar no setor.

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A Svitzer, uma empresa dinarquesa de reboque portuário está a ser acusada de levar à falência as empresas portuguesas no setor. Os operadores nacionais queixam-se de abuso de posição dominante e acusam a multinacional de violar as regras da concorrência com a prática de preços predatórios, abaixo de custo.

Os sinais apontam para dumping, uma estratégia comercial que consiste na venda de produtos a preços extraordinariamente abaixo de seu valor justo.

Várias empresas portuguesas admitem que a Svitzer quer ter a hegemonia do mercado e acusam-na de estar a preparar terreno para ser a única operadora, o que lhe permitirá ditar os preços.

Segundo o ex-gerente da empresa Aguanave, que trabalhou de perto com a multinaiconal dinamarquesa, as medidas utilizadas para dominar os mercados internacionais são semelhantes ao dumping, uma prática ilegal à luz das leis da concorrência.

Já a operadora portuguesa Rebonave foi mais longe e apresentou queixa na Autoridade da Concorrência e na Provedoria de Justiça. Aguarda ainda o desfecho de dois processos em tribunal em que é queixosa, que poderá nao chegar a tempo de salvar a empresa.

O Presidente da Autoridade da Mobilidade e Transportes, João Carvalho, responsável por regular o setor, diz que ainda não deu por nada.

A Svitzer chegou a Portugal em 2001, mas só nos últimos cinco anos decidiu apostar com mais força no mercado português, com preços que não cobram, muitas vezes, o combustível que gastam no serviço. O negócio faz parte da poderosa AP Moeller, que contribui com 10% para o PIB da Dinamarca.