Em 2022, a detenção de um jovem de 18 anos por planear um ataque na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa abria os jornais. Em casa tinha várias armas, incluindo uma besta e uma faca militar compradas no OLX. Segundo o próprio, armas que pareciam “fixes” por uma questão estética.
Em contexto escolar, os dados oficiais mais recentes são do último ano letivo, tendo sido identificadas 52 situações de uso ou posse de armas. Nem a PSP nem a PJ confirmam, no entanto, quantas resultam de compras online.
No OLX e na Vinted, por exemplo, não falta oferta. Plataformas em que quem quer vender um produto cria uma conta e coloca um anúncio. Os interessados combinam a compra diretamente com o vendedor.
Foi isso que a Investigação SIC fez. Enviou mensagem a um vendedor e marcou o encontro.
Em plena luz do dia, num espaço público e movimentado, a faca de mato foi entregue dentro de um saco. Em menos de cinco minutos, sem perguntas, sem nomes, nem idades, a equipa comprou uma arma branca por 50 euros.
Depois, a Investigação SIC decidiu testar se é tão fácil vender como foi comprar, colocando a mesma faca à venda na mesma plataforma onde tinha sido adquirida.
O mesmo com um taser, arma que exige licença para ser usada. Mas este anúncio, ao contrário do da arma branca, levou a que fossem acionados mecanismos de controlo.
O anúncio foi retirado minutos depois da publicação, por não cumprir as regras. Mas bastou mudar o título e tirar a palavra taser para que a publicação acabasse aprovada.
Investigação SIC: conte-nos o que merece ser denunciado através do email investigacao@sic.pt.
