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Fogões que mudam vidas: inovação camaronesa revoluciona cozinhas em África

Um engenheiro camaronês desenvolveu fogões portáteis que utilizam óleos usados reciclados como combustível, revolucionando as cozinhas da África Ocidental. Esta inovação reduz custos em 75% comparativamente às botijas de gás e elimina a necessidade de recolha diária de lenha pelas mulheres.

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Aquilo que para muitos são gestos simples, domésticos e quotidianos para preparar refeições implicava, até há pouco, para outros, em muitas cozinhas dos países da África Ocidental, como os Camarões, longos, demorados e caros processos.

A nova invenção, a cargo de um engenheiro dos Camarões, está a revolucionar a vida em muitas das cozinhas do país. Fogões portáteis evitam o trabalho pesado que recaía sobre muitas mulheres, que antes iam todos os dias colher lenha, acender o lume e cozinhar de forma lenta. Mas o mais surpreendente está no combustível utilizado.

Matam-se assim vários coelhos de uma só cajadada: a extrema poluição provocada pelos lubrificantes e óleos usados, que agora podem ser reciclados.

Cinco mil litros de óleos usados são agora reutilizados, a preços muito mais acessíveis do que as garrafas de gás. Em vez dos 10 euros por cada botija de 6 quilos, cada garrafa com dois litros de óleo custa quatro vezes menos e dura o mesmo, ou até mais tempo. Uma técnica que, segundo os especialistas locais, é muito mais amiga do ambiente.

Pequenas mudanças que podem fazer toda a diferença para a carteira, para a qualidade de vida e para o ambiente.

Contra a erva-bruxa

Todos os dias, Johnny trava a mesma batalha e sofre a mesma derrota. Arranca a ameaça da erva-bruxa-roxa, que está a destruir o modo de vida nesta plantação de milho no Quénia.

O problema é que, assim que a primeira erva-bruxa parasita aparece, já é quase impossível recuperar a plantação.

O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas está muito preocupado com este problema. No Quénia, a Striga, o nome científico da erva-bruxa, está a ganhar terreno nos campos agrícolas.

O problema espalha-se para lá das fronteiras do Quénia e está a deixar milhões em risco de fome.

Mas a iniciativa privada queniana decidiu analisar a Striga ao microscópio para desenvolver uma arma contra esta praga agrícola. Descobriu um fungo como resposta.

É um método biológico de controlo, seguro para quem o aplica e que também não tem efeitos nocivos nos animais ou nas colheitas. Vai eliminar um dos grandes inimigos da segurança alimentar no Quénia.

O milho já cresce como é suposto nos terrenos tratados por Lawrence.

O bioherbicida desenvolvido no Quénia vai brevemente ser exportado para todo o continente africano.