Polígrafo

Autárquicas. Ventura não é candidato a Lisboa, mas Chega quer ir a todas

Entrevista Polígrafo SIC

MÁRIO CRUZ

Em entrevista ao Polígrafo SIC, o líder do Chega avançou que divulgará esta semana o nome para a Câmara de Lisboa e não negou a possibilidade de a candidata do partido ser a advogada Suzana Garcia.

O objetivo é claro: chegar a todas as autarquias do país. "Nós temos que ir a todas as câmaras este ano", afirma André Ventura, apontado a meta como uma das linhas condutoras do mandato que agora começa, depois de ter sido reeleito líder do Chega com 97,3% dos votos.

Em entrevista ao Polígrafo SIC, não soube dizer o número de militantes que votaram nas eleições internas do partido, garantindo que apenas lhe foram passadas duas informações: a percentagem dos votos (97,3%) e que neste sufrágio tinham votado menos militantes. Prometeu, esta semana, tornar públicos os números das eleições no partido.

Na falta desses números, André Ventura avançou outros: o Chega é um partido com mais de 25 mil militantes e que, segundo diz, está a crescer como nunca nenhum partido cresceu. As autárquias revelam-se, assim, uma prova importante para o partido.

Mas, desta vez, Ventura não quer ser protagonista - depois de ter alinhado nas europeias, nas legislativas e nas presidenciais. Para o líder, é tempo de aparecerem outras cara associadas ao partido e, por isso, não entra na corrida a Lisboa. Espera ainda esta semana apresentar o candidato à capital, que poderá ser a advogada Suzana Garcia. "É uma candidata que gosto muito", disse Ventura sem se comprometer.

Sobre a candidatura de Carlos Moedas pelo PSD à Câmara de Lisboa, Ventura disse não considerar o ex-comissário europeu "um candidato especialmente interessante" e vai mais longe.

"Acho que a coligação de Lisboa é uma coligação de morte. O CDS está desesperado por uma bóia de salvação e o PSD desesperado para impedir o regresso do Passos Coelho. É uma coligação de sobrevivência", afirmou.

De acordo com o líder do Chega, a coligação de direita, que deixou o Chega de fora, tem um "péssimo projeto político" sem diferenças para Fernando Medina.

Para as autárquicas, Ventura aponta o PCP como o maior adversário. "Nas autárquicas queremos debater cara a cara com o PCP", afirmou, acrescentando que os portugueses "estão fartos do PCP" e que a nível nacional o Chega estará mais forte que o partido comunista.

"O mandato é claro: levar à implantação do Chega nas autarquias e chegar ao Governo nas legislativas", traçou Ventura.

Ao longo do discurso ficou claro que o Chega quer aliar-se à direita para cumprir o obejtivo, utilizando como exemplo a coligação dos Açores, que serviu para derrubar o Governo socialista. Mas no continente, a missão parece mais difícil, com Rio a pedir moderação a André Ventura.

O líder do Chega diz que a união das forças de direita tem sido um problema porque o "PSD não sabe se é de direita ou de esquerda".

"Em vez de diabolizar que comece a construir", disse André Ventura ao líder dos sociais-democratas.